sábado, 29 de outubro de 2016

A vida em cores


Tenho que admitir: a televisão é babá dos nossos filhos. Não como aquela que limpa, alimenta, cuida, leva passear e possui laços afetivos; mas a que os mantém por  minutos ou  horas cativos sob a fascinante telinha de entretenimento, permitindo assim que a mãe realize as demais tarefas domésticas. Esse é o primeiro contato deles com o universo da fantasia. Depois disso, impossível  resistir aos encantos dos enredos coloridos,  diversificados, musicados e tão cheios de graça que atendem aos anseios imaginários desde a  fase infantil, adolescente e se estende à adulta.

Os anos se encarregam de escrever uma lista imensa de desenhos animados e de filmes que conquistaram a preferência dos meus ex-pequeninos. Não que eu os tenha influenciado, ao contrário, sou meio adversa a várias produções que fazem sucesso com a garotada. Não  desenvolvi esse gosto quando criança, pois não havia televisão em minha casa até os 12 anos. Raramente assistíamos a algum filme ou programas na TV e quando isso ocorria, eram em visitas rápidas na casa do vizinho. No entanto, a presença dessa “criatura que fala” não nos fez falta.  As protagonistas éramos nós nas brincadeiras criativas, nas simulações do cotidiano. Esse legado foi significativo para a minha formação. O consumismo pregado pelos meios de comunicação chegou meio atrasado e se alojou pelos cantos da casa do jeito que pode...

O dono da pensão, entretanto, é um fruto das produções visuais e sonoras que a telinha despeja diariamente. Conhece TODOS os desenhos. Já assistiu a (QUASE) todos os filmes. Às vezes eu o testo,  perguntando como é o desfecho de tal filme e ele conta TUDO em detalhes. Não sei como cabem tantas informações televisivas naquela cabeça! Lógico que ele fez questão de transmitir esse prazer para os filhotes e netos, pois assim assiste, se diverte, comenta e revive as alegrias  junto às gerações que ajudou a construir.

De certa forma, sou grata à televisão por ocupar meus filhos com suas histórias, afinal eu tinha que me desdobrar para dar conta das demais obrigações. Como seria se fosse diferente com  as minhas duas bênçãos: o Irrequieto Danilo e a curiosa Patrícia?

O Danilo gostava de alguns super-heróis. Quando pequeno, teve sua fase de “He Man”; até precisei comprar uma espada para que ele erguesse e gritasse também “Eu tenho a força!” O poder e o protagonismo ficcional já o encantava desde pequeno e não foi diferente ao crescer. Haja vista sua dedicação plena pelos objetivos traçados e as vitórias conquistadas. Todavia, seus gostos não se limitavam à proezas super-humanas, gostava muito do “Gato Félix” e do filme “O Elo Perdido”, segundo ele. Lembro-me que em alguns episódios do Gato Félix, havia um tipo de esquimó baixinho que derrubava árvores e quaisquer obstáculos em seu caminho gritando "babum". Danilo adorava o Félix, mas tinha pavor do tal de “babum”. Esse medo do personagem durou alguns anos e confesso que, algumas vezes, eu me prevaleci disso para fazê-lo obedecer.

Lembro-me também que ele sempre foi muito ligado a filmes, vídeos, programas ou reportagens que discorriam sobre bichos. “O Mundo Animal” era assistido constantemente. Por isso ele sabia e sabe tanto sobre os animais. Quando surgia qualquer dúvida referente, eu já sabia a quem recorrer.
Danilo nunca gostou de enredos dramáticos ou melosos. Na fase adolescente e adulta, preferiu as produções sobrenaturais de suspense ou terror, como: “Anjos Rebeldes; “A Hora do Pesadelo” (com o inesquecível e apavorante  Freddy Krueger); “O Exorcista”; e outros  filmes com lobisomens, vampiros, zumbis... Desenhos? “Os Simpsons”

A minha princesa, embora possua o sangue azul, NUNCA gostou das princesas frágeis e passivas como: a Bela Adormecida,  Cinderela, Rapunzel, Branca de Neve e outras. Sempre torcia para a bruxa, que segundo ela, tinha mais personalidade e atitude. Desde pequena, Patrícia já demonstrava  seu juízo de valor sobre as pessoas, mesmo as fictícias. O amor pelos animais e gostar de saber sobre eles também era tributo da pequena. Assistia e curtia com o irmão as reportagens. 

Preferi consultá-la sobre os desenhos e filmes que mais marcaram sua infância e adolescência e eis a resposta: “Muppets Baby”; “o Fantástico Mundo de Boby”; “Doug”; “Nossa Turma”; “Pedra dos Sonhos”;  “Timão e Pumba”; “As Aventuras de Tintim”; “Ursinhos Gummy”; “101 Dálmatas”; “Ducktails”; “Ursinhos Carinhosos”; “Punk, a Levada da Breca”; “Cavalo de Fogo”; “Dênis, o Pimentinha”; “Manda Chuva”; “Castelo Ra Tim Bum”; “Contos de Fada (a série)”; “A Turma do Pateta”; “programa “Glub Glub”; programa “Mundo de Beckman”; série “Anos Incríveis”; série “Mundo da Lua”; programa “X Tudo”; desenho “Os Anjinhos”; desenho “De Volta ao Vale Encantado”; “Os Animais do Bosque dos Vinténs”; “Arrume Tudo e Pare com isso”; Chiquititas”; “Tv Cruj”...

Além desses mencionados, lembro-me que eles assistiam ao ‘Sítio do Pica-pau Amarelo, “Carrossel” e adoravam “Chaves”. Nunca se interessaram por “Xuxa” nem Angélica, muito menos Mara Maravilha (que de maravilha não tinha NADA). Na verdade, NENHUMA dessas apresentadoras infantis famosas conquistou meus filhos. Segundo eles, o que salvava o programa eram alguns desenhos. (Eu concordo em gênero, número e grau que elas são dispensáveis...)

O Gabriel, meu filho com mel, “ops”, meu neto, possui um rol de desenhos e filmes preferidos;  aliás em casa há um arsenal de filmes dele que fui comprando aos poucos e ocupam as prateleiras da estante da sala, além daqueles que ele assiste pelos canais assinados.

Gabriel  adora  desenhos cujos protagonistas são gatos, em especial: Gato Felix”(não é da época dele, mas quando lhe foi apresentado, apaixonou-se); “Garfield”; “Manda-Chuva”; “Tom e Jerry”; “Mingau” da Turma da Mônica; “O Gato de Botas”. Outros desenhos igualmente o encantam desde pequeno: “Pocoyo”; “Doki”; ”Backyardigans”, “Os Heróis da Cidade”;  Picapau”; “Naruto”;Charlie e Lola“; Tromba Trem” Scooby doo”;  Sítio do Pica-pau Amarelo”; Ben 10 “ “Pokémon”; “Hora de Aventura; “Os Simpsons”... Houve a fase dos dinossauros: Em Busca Do Vale Encantado”; “King Kong”; “Jurassic Park”; “Dinossauro”, etc. Semelhante ao pai, ama assistir reportagens sobre os animais,  meio ambiente e mitologia grega. A Medalha de ouro, porém,  vai para  todos os episódios do “Chaves”, sua paixão até hoje.

Não posso deixar de mencionar que o mais novo membro da família, outro herdeiro do Danilo,  o netíssimo JOHNNY,  desde os primeiros meses provou que  a televisão também é sua aliada e companheira nos momentos em que precisa se distrair e ficar mais tranquilo. Por enquanto, as músicas e as imagens na telinha que prendem  sua atenção são: os episódios da “Galinha Pintadinha” e do “Patati Patatá”. Pelos vistos, seguirá os passos do avô, do pai e do irmão...
Por tabela, eu acabo aderindo a algumas dessas preferências pelo simples prazer da companhia dos meus filhos, netos e marido, afinal, assistir é preciso, a aprendizagem é contínua, ficar perto deles é imensurável...

 Zizi, 03/09/2016

 


 

Errinhos que se vão


Pequeninos, frágeis e dependentes: dessa forma eles chegam até nós. Que responsabilidade em nossas mãos! Desde o momento em que demos o “Sim” à maternidade, a vida se transforma em: alegria,  amor, atenção, cuidados, dedicação, ensinamentos, preocupações. Essas coisinhas miúdas e grandiosas, magicamente, se apossam do nosso coração, regendo os pensamentos, definindo as atitudes, porque são, sem dúvida alguma, nossa prioridade sem prazo para vencimento.

O ritual se inicia e lá estamos à frente de cada fase: os cuidados com a alimentação e higiene,  os primeiros passos, a pronúncia das palavras... Os olhinhos atentos dos miúdos tentam acompanhar e muitas vezes nos imitar. O que sai?  Ao invés de palavras, ruídos guturais incompreensíveis que somente uma mãe consegue depreender. Entretanto, isso não basta. Há um mundo lá fora no aguardo do processo interativo que precisa ser pleno o suficiente para suprir as exigências comunicativas desse nosso mundo moderno, tão cheio de padrões e rótulos quadradinhos.

Tais inquietações me acompanharam nas fases em que meus pequenos começaram a produzir os primeiros textos orais, que mais pareciam uma mistura de “nhem-nhem-nhem” com ”zum-zum-zum” e “blá-blá-blá” (não necessariamente nessa ordem...). Não deixa de ser uma brincadeira divertida,  esse primeiro ensaio das palavras. Aliás, acredito que boa parte dos vocábulos nasceu das onomatopeias.

Algumas coisas marcam quando as crianças chegam nessa fase: as vogais, por exemplo,  são mais enfatizadas na pronúncia infantil: “aua” é mais fácil que água; algumas palavras são cortadas pela metade, destacando a sílaba tônica;  passarinho vira “Titi”; uma quantidade grande de água é rio. Por esse motivo, quando o Danilo gritou desesperado para a avó: “O Titi caiu no rio”, ela achou graça e não socorreu de imediato o coitado do passarinho que ele havia derrubado com gaiola e tudo dentro do tanque cheio de água. Felizmente o bichinho foi socorrido e escapou da morte, porque o Danilo conduziu a avó até a área de serviço e mostrou-lhe o que realmente havia ocorrido.

Além do relato acima, o meu sapeca protagonizou outras cenas com sua hilária linguagem, todavia,  não me lembro de tudo com detalhes (Afinal são 32 anos atrás...), mas sei que o aperfeiçoamento da pronúncia dele ocorreu naturalmente com o decorrer dos meses e anos seguintes. Foi durante esse momento transitório que recebeu como presente alguém para multiplicar as descobertas: a irmãzinha Patrícia.

Pequena e esperta, ela aprendia muito rápido tudo, pois tinha um professor de plantão que precisava urgente de uma parceira para as traquinagens. Entretanto, quanto à questão da linguagem dessa Pequena Notável, foi necessária a orientação de uma especialista (fonodióloga) para ajudá-la a distinguir algumas letras e fonemas: c/g, v/f, t/b, que ela trocava na fala e na escrita. Alguns meses de treino e exercícios específicos foram suficientes para corrigir esse detalhe linguístico. Para quem sempre fez questão de expor seus pensamentos, agora com a dicção corrigida, não economizou no discurso, queria esgotar o estoque de verbos, substantivos, adjetivos...

Meu neto Gabriel também apresentou algumas dificuldades na pronúncia de alguns fonemas: x/j, t/b. q

Quando eu ouvia essas trocas, eu o corrigia e pedia que ele repetisse com atenção. De uns tempos para cá, percebi  que ele superou tais dificuldades e sua fala  não possui mais aquele tom infantil. Além dos mimos típicos de vó, lógico, eu também considero essencial diálogo contínuo com as pessoas da casa para que os filhos, assim como os netos, participem dos assuntos, opinem e possam também aperfeiçoar a expressão oral.

Enquanto observo filhos, netos,  e contemplo essas duas gerações, vejo como os anos obedecem à toada melodiosa e incansável do “ tic-tac “do tempo,  na qual algumas lembranças se acumulam, outras se perdem e depois se escondem  em alguma parte da memória. De pequeninos, frágeis e dependentes, passam à crescidos, nutridos e independentes,  encarando hoje,  em suas vidas, desafios que outrora a protagonista era eu.


Zizi , 27/08/2016

As avós, essas mães com mel...


O tempo transforma experiências em sabedoria. Sempre me encantei com o conhecimento das pessoas mais velhas. Adoro aprender com elas! Como falam com propriedade dos assuntos! E o mais fascinante: tudo flui com uma simplicidade que desmascara o enigmático e a temida complexidade dos fatos cotidianos divulgados por aqueles que ainda não chegaram a esse nível de aperfeiçoamento humano.

Na adolescência, ficava imaginando como eu seria num futuro como mãe e mais tarde como avó. Estaria preparada? Pura bobagem! Não existe um momento específico para tal preparo. Somos aquilo que praticamos todos os dias, somos o que pensamos, o que desejamos, o que falamos, o que fazemos e, sobretudo, o que aprendemos com nossos mestres: os pais. Uma soma de itens variados que traz um resultado “x” e faz de nós únicos.

Reconheço que as maiores e melhores emoções são vividas nos momentos que não foram planejados passo a passo... Simplesmente as coisas acontecem, vinculadas, muitas vezes, ao elemento surpresa, como: dormi mãe e acordei avó! E agora? Como evitar a expressão interrogativa e o olhar preocupado por estar diante de um novo quadro, novíssimo, desconhecido até então por mim?

Mas o coração está no controle: não custa nada uma recepçãozinha com um tapete vermelho estendido para acolher a nova vida que já está a caminho e recebê-lo de braços abertos com uma  sequência infinita de abraços, beijos, afagos... Afinal vale muito a pena essa nova chegada!!

Minha mente retoma a figura da minha avó Maria: uma senhora tão dócil, tão meiga que conhecia a palavra AMOR em toda a sua dimensão e o distribuía, cuidadosamente,  entre os netos sem economizar carinho, atenção,  acalanto nos momentos em que os recebiam em sua casa.  

Trazendo um passado mais recente, esbarro em outra figura feminina a qual eu me espelho todos os dias porque ela representa o meu modelo ideal e perfeito de mulher-mãe-avó. Ela me ensinou tudo o que sei ou faço em nome dos meus netos. Minha mãe nos presenteava sempre com um sorriso doce recheado de carinho, com sabor infinito de satisfação por estar rodeada de netos.  Ela sim era o nosso maior e melhor presente e nem desconfiava! Aquele colo abrigava todos os netos que depois dos cafunés, corriam para a cozinha porque sabiam que haveria bolinhos de chuva no lanche da tarde seguidos de outras iguarias. Nunca soube dizer não aos pedidos dos pequenos. Acompanhou o crescimento deles para vibrar junto nas vitórias e orientá-los quando precisassem. Sua maior felicidade: vê-los, abraçá-los, agradá-los e, depois,  ficar ao lado contemplando aquelas figurinhas que lhe passavam o pente nos cabelos e questionavam os novos fios brancos que surgiam a cada dia...

Do lado paterno, meus filhos foram igualmente privilegiados e com um diferencial a mais: eram os únicos netos e não precisavam dividir a atenção com os demais primos. Evitar que ficassem mimados? Missão impossível! Deve-se aproveitar, da melhor maneira, a companhia dos avós enquanto os têm.  Esse contato é essencial e não tem preço!

Com esses exemplos que tive, tão ricos em amor, carinho, dedicação, paciência, gentileza...etc.,  impossível assumir uma postura diferente diante dos pequenos frutos que coloriram e perfumaram a minha casa desde 2004.
Gabrielzinho trouxe luz
E mudou todo o cenário
Preparou novo contexto
E não ficou solitário:
Um milagre aconteceu
O Johnny  logo nasceu
Lindo, forte, necessário.

São infinitas as mudanças que ocorreram em minha vida depois que me tornei avó. Fortaleci-me,  renasci, encontrei novos motivos para sorrir e voltar a me sentir feliz,  percebi que Deus permite uma compensação para as perdas e a força provém dos filhos e netos: esses adoráveis agentes do milagre da vida.

O que é ser avó, afinal? É ser duplamente mãe coberta com mel, regada com paciência, pintada com as  cores harmoniosas da emoção; é ter o coração elástico que não se importa em ser ampliado e povoado por essas bênçãos que carregam um pedacinho de nós.


Zizi, 19/08/2016

Chegou a Fada do Dente!


Em meu baú guardo preciosidades: alguns objetos que, em algum momento, passaram pela minha vida e possuem um significado especial, por isso não me desfaço deles. Não pretendo enumerá-los para que não me comparem com pessoas acumuladoras (cuja prática chega a ser doentia), mas posso citar algumas coisinhas: possuo a pulseirinha do hospital que colocaram no bracinho dos meus filhos quando nasceram, tenho o umbigo deles, o modelo do convite do meu chá de cozinha, todos os cartões que ganhei no casamento ainda estão lá guardadinhos; além disso,  há cartas, cartões diversos, pastas com textos, roupinhas dos  meus graúdos quando  eram miúdos e, entre tudo isso, há uma caixinha exclusiva, na qual guardo com muito carinho e cuidado umas perolazinhas com formatos e tamanhos  variados que um dia fizeram parte da primeira arcada dentária dos meus filhos e do neto. Isso mesmo: tornei-me a Fada do Dente:  do Danilo, da Patrícia e do Gabriel.

Isso não foi planejado, surgiu, repentinamente,  de uma ideia-clichê de fazer correntes, pingentes ou brincos utilizando os dentes de leite das crianças. Ou, quem sabe, foi uma estratégia para não se desfazer de algo tão deles! Não quis repetir cenas da minha infância  que consistiam em  jogar o dente no telhado, mencionar algumas palavras  e oferecer a sei lá quem. (Sempre fiquei cismada com isso, achava estranho )

Os dentinhos de leite quando amolecem para cair sempre provocam um drama porque a criança fica receosa por perder algo que lhe pertencia. Não  deixa ninguém colocar a mão e ao mesmo tempo pede ajuda aos pais, avós, tios... enfim,  quem estiver por perto.

Assim foi em casa. A cada dente que caía, tanto do Danilo quanto da Patrícia e, anos depois, do Gabriel,  lá se ia o pai/avô, muitas vezes,  munido   de  um barbante para “laçar” e amarrar na maçaneta e, no impulso do movimento de abrir e fechar da porta,  forçar o dente a sair do “ninho”. A minha parte era trazer rapidamente água com sal para enxaguar a boca deles, evitando, assim, um sangramento ou inflamação.

Entre sugestões dos avós e tios que insistiam que o correto seria jogar os dentes no telhado para que viessem outros mais fortes, estavam a corujice da mãe,  o apoio do pai e a  inevitável ansiedade das crianças. O resultado não poderia ser outro: os dentes migravam da boca para a caixinha e estão lá até hoje aguardando o ourives...

 Zizi, 12/08/2016


Tantas fraldas!!


Minha  preocupação com fraldas ocupam um espaço um pouco remoto na linha do tempo. A tecnologia, na década de 80,  não era ainda uma aliada das mamães;  não tínhamos o descartável como nosso elemento básico do cotidiano (embora ele já existisse). Seu uso, entretanto,  se limitava às viagens ou passeios longos e, além do mais, o preço não atraía.  As fraldas, em qualquer época, assumem prioridade dentro de uma casa, um item indispensável e mais numeroso do enxoval do bebê, sejam elas descartáveis ou de tecido.

Nas duas vezes em que engravidei,  a tática foi a mesma para organizar as coisinhas dos lindinhos:  fraldas de tecido compradas por quilo em uma loja; depois de cortadas no tamanho ideal, suas barras eram feitas, uma a uma na máquina de costura doméstica. Após estarem prontas,  eram lavadas, dobradas,  passadas e aguardavam ansiosamente,  o momento do uso. Não me lembro de quantas, mas sei que muitas habitaram aquelas gavetas até serem dispensadas. Deu um trabalhão concluir todo esse processo, todavia, uma mãe é conduzida por uma força que não a deixa sucumbir, afinal ela disse SIM à maternidade!

Todos os dias, durantes alguns anos, muitas fraldas para lavar e passar. Aqueles varais esticados nas  dependências do quintal , lotadinhos de paninhos brancos, sacudiam de um lado para o outro com a força do vento como se quisessem  fugir dos cruéis grampos que os mantinham atados ao fio.

Não posso me esquecer de mencionar a fiel aliada da fralda de pano: a calça plástica que era usada por cima e  impedia, parcialmente, que a roupa ou o berço molhasse.  

Um ano se passou e Danilo nas fraldas,  dia e noite. Até então, não tinha cogitado a ideia de libertá-lo daqueles “panos”. No entanto, logo descobri que mais um bebê estava a caminho e isso significaria um aumento em dose dupla das tarefas, sobretudo das fraldas que eu iria lavar diariamente.

Eu tinha que ser rápida e eficiente para alterar aquela situação: comecei a tirar a fralda dele aos poucos. Primeiro,  em algumas horas durante o dia. À noite eu a recolocava e ficava de olho; esperava um tempinho, levantava e o levava, meio adormecido,  duas ou três vezes  ao banheiro para que ele se habituasse a usá-lo o mais breve possível. Essa cena se repetiu vezes e  vezes...

Quando a Patrícia nasceu, ele estava com 1 ano e 10 meses  e eu não tinha conseguido desfraldá-lo ainda. Senti na pele o sabor do trabalho duplicado por alguns meses. Como nada é eterno, chegou o momento em que ele, finalmente,  emancipou-se,  deu um “basta” para as  fraldas e passou a utilizar o “troninho infantil ” ganhado  como prêmio pela conquista. 

A  Patrícia  seguiu, mais ou menos, os passos do irmão com relação ao tempo do desfraldamento (em média 2 anos). Com duas crianças, não era nada fácil sair e carregar a bagagem completa, principalmente os intermináveis “paninhos de bunda”.  E detalhe: não podiam ser lavadas com qualquer sabão em pó, muito menos enxaguados com determinados amaciantes de roupa, pois o risco de provocar uma alergia na pele dos bebês era imenso. Infelizmente, só descobríamos após o uso. Entre acertos e erros, experiências se ganham...

Mas tais conhecimentos nem sempre são válidos para outra pessoa, porque cada ser é dotado de peculiaridades que os diferenciam. Descobri isso quando fui avó pela primeira vez.  Gabriel não precisou embarcar na mesma canoa do pai, nem da tia.  Ele usou e “abusou das fraldas descartáveis”. Parece exagerada tal expressão, entretanto condiz  com a realidade, pois ele dobrou o tempo de uso das fraldas, superando o pai e a tia juntos. Embora fizéssemos mil peripécias, campanhas e “tchau” para  o número 1 e o 2, ele se mantinha impassível e (absurdamente!) exigia que colocássemos a fralda bem na hora de evacuar. Se não colocasse, ele se negava e não tinha acordo. Chegamos ao ponto de deixá-lo dois dias sem fralda, na tentativa de força-lo a largar, mas foi em vão. Só serviu para penalizá-lo. Desisti, então,  dessa exigência falida e resolvi esperar pelo tempo dele,  mesmo que demorasse! Que viesse quando chegasse o momento certo!  Desde que meu neto estivesse bem, que se danem  as convenções!! 

Um belo dia,  enquanto pintávamos a casa conversando animadamente, fomos surpreendidos por uma vozinha, vinda do banheiro que nos convocava para presenciar sua estreia no troninho infantil!  Que  vitória maravilhosa!! Clap clap clap! clap!!


 (Zizi – 05/08/2016)

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Filhos bem alimentados, mães felizes!

Tema: Ele(a) não come de jeito nenhum!

Os olhos brilham sincronizados com um largo sorriso, um suspiro aliviado expressa a satisfação do dever cumprido e um ar de felicidade toma conta daquele rosto de mãe cujo  filho comeu toda a refeição  que lhe foi oferecida.

Essa preocupação com a ingestão de alimentos saudáveis, entretanto, tem início bem antes dele vir ao mundo.  Durante a gravidez, geralmente a mãe busca enriquecer sua dieta incluindo mais frutas, legumes, verduras para que o bebê seja favorecido.

Depois do nascimento, o período da amamentação ocorre sem maiores preocupações  porque o leite materno é completo e possui uma temperatura ideal. O choro da criança é o indicador da  fome e assim  a mãe fica à disposição da prole.

Passado essa fase mais tranquila, dá-se início ao segundo momento cujo  desafio maior  é transformar  a teoria aprendida nos livros, revistas, vídeos, etc. em práticas cotidianas, pois há uma grande risco de nos depararmos com um serzinho cheio de vontades opostas às nossas. A partir daí, tem início um drama que dura e perdura por tempo indeterminado.

Quando pequenos, somos nós que damos as cartas, mesmo assim eles não querem entrar no nosso jogo; quando crescem e se tornam adultos, passam de objetos à sujeitos e nós, mães, meros termos acessórios. Não desistimos deles mesmo assim. Nosso olhar atento observa, opina, discute.

Assim surgem os relatos saborosos,  cujos detalhes o tempo não apaga...

Quando nasceram, meus pequenos não tinham um peso digno de despreocupação,  pudera!  Um pesou 2,500 kg (Danilo)  e a outra 2,300kg (Patrícia), ambos com 46 cm de comprimento. Os quilinhos a mais que ganhei nas duas gestações  eram somente meus. Perguntaram-me, na  ocasião, se eu era fumante ou se eles nasceram prematuros devido à fragilidade que apresentavam. Duas hipóteses negativas e absurdas que desencadearam em mim uma inquietação muito maior com relação aos alimentos que deveria oferecer a eles para suprir uma (possível) desnutrição.

Danilo sempre foi enjoadinho para comer. Foi amamentado até os seis meses, mas sempre aquele drama: mamava pouco e não tinha horário certo. Como reforço, depois de alguns meses, apelei para a mamadeira, porém o sucesso não veio junto. Ele só tomava a metade e eu tinha que jogar fora o restante do leite todos os dias. Resolvi, então, colocar meia mamadeira, evitando assim o desperdício. Ele observava a quantidade de leite e vendo que estava pela metade, a recusava, talvez acreditando que já havia tomado a outra parte. Que ossinho duro de roer!!! A sopinha de legumes também não era de seu agrado. Lá em casa havia pratinhos térmicos com peixinhos que  se mexiam, colher de aviãozinho...só estratégias para convencê-lo a comer um pouquinho que fosse.Todavia,  só faziam efeito nos primeiros dias. Frutas: só raramente; sucos: um ou dois goles forçados. Enfim, tudo que era natural e saudável ele não dava a mínima. Mas havia algo que gostou quando conheceu e até hoje lidera suas preferências gastronômicas: churrasco!  Quer fazê-lo feliz? Dê-lhe carne, muita carne!! Continua não sendo fã das verduras; quanto aos legumes, apenas o brócolis ninja é aceito como acompanhante em uma refeição.  O  papel de mãe insistente e de oferecer cardápio variado eu fiz durante a infância e  adolescência  do Danilo e, ainda na  fase adulta,  de vez em quando eu pratico para não perder o hábito(rss)

A pequena chegou bem miúda e, para meu desespero, seu apetite era proporcional ao seu peso e tamanho. Eu já tinha experiência com o Danilo e me empenhei no sentido de inverter aquele quadro. Levei-a ao pediatra  em busca de melhores orientações para que ela ganhasse mais peso. Ele recusou-se a passar alguma vitamina porque afirmava ser desnecessário e ainda disse que não havia motivos para preocupações, pois a criança era saudável.  Apenas sugeriu um cereal infantil (Mucilon) no leite depois que ela completasse cinco meses. Apresentei a ela também o cardápio das sopinhas, dos sucos, frutas, da mesma forma que fiz com o Danilo. Essa apreensão atiçou minha criatividade culinária porque eu estava determinada a fazer a Patrícia ganhar uns quilinhos. Não posso afirmar que obtive a vitória de início, pois ela passou a infância e adolescência com aquele corpinho de Barbie. Por outro lado, anos depois,  tornou-se fã das verduras cruas ou  cozidas, dos alimentos naturais, das comidas caseiras leves ou pesadas, das carnes cozidas ou assadas, sopas, sucos naturais, leite, massas, doces ou salgados Enfim, ela se aliou a esses  alimentos por conta própria quando reconheceu  o sabor e a importância deles na sua alimentação. E isso foi essencial, pois mora sozinha e adora inventar pratos.

Meu maior prazer é vê-los em minha casa,  assentados conosco à mesa para um almoço ou jantar. Não economizo nos mimos, como: pratos favoritos, bolos ou doces, além de beijinhos e abraços, lógico!  Entretanto, fico atenta aos exageros porque sei que existem consequências danosas oriundas de uma alimentação inadequada, afinal “Somos aquilo que comemos”, não é o que dizem?

    Zizi, 28/07/2016

Amigos: presentes do coração

Tema: OS melhores amigos(as) dele(a)

Os primeiros grandes amigos das crianças são, sem dúvida alguma, os pais,  visto que representam aqueles com quem sempre poderão contar em qualquer lugar ou momento. Além disso, é um gostar despretensioso e incondicional que, dificilmente, outra pessoa conseguirá suplantar.

Essa base é de extrema importância para a formação do ser humano. Mesmo assim, o mundo não se resume somente em vínculos entre pais e filhos. Outros  espaços serão ocupados por determinadas pessoas de uma forma tão especial que fará a diferença na vida dos envolvidos. Precisamos de mais contatos, para o amadurecimento por meio da interação e da troca de experiências nas fases da nossa vida (infância, adolescência, adulta...), porque o ser humano é fruto do social; o individual cheira a solidão, que lembra isolamento,  que leva a perder-se em si mesmo como num abismo silencioso. Isso não é nada bom!

Meus filhos, graças a Deus,  tiveram uma infância rodeada dos primeiros amigos: os primos. Eram, praticamente, todos da mesma época. A diferença etária entre eles era pouca. Agrupavam-se por afinidades e brincavam muito.  Entre 1981 e 1988 nasceram quase todos eles.

Até o nascimento do Danilo, parecia um clube da Luluzinha formado por: Taís, Mônica, Denise e Kátia. Veio, então o meu terrível Danilo fazer a diferença e agitar a galera. Em seguida, mais uma lady: a Elaine, a quem o Danilo adorava perturbar; logo chegou outro um garoto: o Bruno, para (talvez) ser cúmplice do Danilo  nas brincadeiras ou peraltices; minha princesa Patrícia não demorou para desembarcar e se juntar àquela galerinha cognata; os meninos reagiram multiplicando-se em: Franklin e em seguida,  Lucas.  Muitos anos depois, mais um menino: o Ramires, que não participou plenamente  das brincadeiras por ser o  caçula.. Essas crianças cresceram juntas e criaram um vínculo fraterno. Eu tinha o maior prazer em passear com os meus e levar quases todos os sobrinhos juntos. Como eram parecidos, as pessoas pensavam que fossem todos meus filhos. Hoje, olho para esses lindos e lindas e me custa acreditar que o tempo, magicamente, piscou o olho e os tornou adultos. 

A fase escolar proporciona diversos vínculos de amizade para a maioria das crianças. Danilo, embora tivesse vários colegas, não demonstrava tanto interesse em andar em bandos.  Quando atingiu a adolescência, estreitou seus laços a alguns deles e juntos formaram uma banda de rock que durou um determinado tempo.  Desse grupo faziam parte: Leonardo, Rafael, Caio e Bruno (o primo). Pareciam irmãos, tamanha a afinidade. : iam juntos a shows, cinemas, curtiam jogos e músicas. Até que outras prioridades ligadas à vida adulta,  parcialmente os afastaram. Porém, antes disso, Danilo quis homenagear o Leonardo convidando-o para padrinho do Gabriel e, dessa forma, a amizade e o contato deles se mantiveram.

Patrícia, a mais nova das meninas, era tratada como uma bonequinha pelas primas. Embora pequena e aparentemente frágil, nunca se submeteu aos meninos. Eles que não entrassem na linha! Uma autêntica baixinha brava! Na escola conquistou várias amigas entre elas: Verônica, Rose,  Daniele. Faziam todos os trabalhos escolares juntas em casa, brincavam, dançavam, cantavam, inventavam coisas... Um iminente dia, cresceram e se envolveram com os planos futuros. Patrícia foi estudar longe durante cinco anos e o contato se reduziu. Verônica se casou;  Daniele também. Esta quando teve o primeiro filho “Alyson”, escolheu a amiga Patrícia para madrinha, reativando e fortalecendo um elo de anos.

Interessante como o destino constrói os caminhos: traçando-os de acordo com a natureza dos fatos e as possibilidades de ligação entre eles. Por exemplo:  o filho da Daniele: o Alyson, é o melhor amigo do Gabriel, meu neto, e , além de se darem super bem, são parecidos não só na fisionomia como nos gostos e nas atitudes.

Os gêmeos Guilherme e Gustavo são igualmente muito presentes na vida do Gabriel desde bebês. Todos os aniversários, o primeiro pedaço de bolo, o Gabriel oferecia aos gêmeos. Essa amizade terá vida longa, pelos vistos.

Outrossim, não posso esquecer de mencionar as ilustres amigas-irmãs da Patrícia: Eleonora (Carinhosamente chamada de Lola); a Josiana (Josy)e Jamila, dentre outras. Essas garotas se conheceram na época da faculdade, moraram juntas em repúblicas e dessa época veio esse laço afetivo que até hoje permanece.

Em suma, as amigas são tantas, porém há um amigo em especial: Lucas, o primo. Eles, desde pequenos, são muito próximos e unidos,  confiam-se mutuamente, adoram se encontrar,  trocar presentes e (às vezes)  segredos, o respeito e carinho que um tem pelo outro é, no mínimo,  sublime.
O ensinamento dos pais não vem só pelas palavras, mas se concretiza no bom exemplo. Danilo e Patrícia, souberam, cada um a sua maneira,  cativar pessoas, formar elos significativos, respeitar e aceitar as peculiaridades que singularizam cada ser, guardando-o no coração à  sete chaves.


Zizi; 22/07/2016

domingo, 17 de julho de 2016

Ser madrinha é uma honra!

Tema: os padrinhos dele(a)

Ser convidado(a) para batizar alguém é, antes de tudo,  uma demonstração de carinho e confiança em nós e, ao mesmo tempo, representa uma homenagem carregada de um compromisso que acompanhará a função de madrinha/padrinho nos próximos dias e anos. É, portanto, uma decisão simples e complexa se considerarmos os vários ângulos de um mesmo olhar.

Se recebeu o convite, provavelmente já existe aí uma amizade com vínculo afetivo que, certamente, não encontrará obstáculos em permanecer-se. Por outro lado, a palavra “compromisso” tem uma relação próxima com alguns termos menos simpáticos como: obrigação/dívida/pacto/ peso/responsabilidade...que, de certa forma, assustam.

De acordo com a etimologia, a palavra madrinha (”de matrem, caso acusativo do latim mater, pronunciado madre no português dos primeiros séculos, de onde veio comadre, pela formação cum matre, com a mãe; depois commatre, segunda mãe, madrinha”), realça a importância de se ter mais alguém presente e preocupado com a educação da criança, além dos pais. É, portanto, algo significativo para aquele ser em evidência que precisará de todo apoio possível para lidar, futuramente, com um  mundo de improbabilidades,  sem perder a firmeza necessária.

O grau de agradecimento pelo convite e a dúvida se está realmente preparado para tal decisão são duas vertentes que,  a princípio, se mesclam e, em seguida,  se definem de acordo com a disponibilidade e agrado que o convite lhe causou. Se haverá possíveis encantos ou desencantos, dúvidas que somente o tempo responderá. Geralmente consultamos o passado para resolver o presente, mas nem sempre é uma regra válida, serve apenas como referência.

Causa estranheza saber que alguém que fora convidado para ser padrinho, desistiu por não concordar com a escolha da madrinha. E foi o que ocorreu comigo. Meu tio materno José, (carinhosamente chamado de Dedé) era o escolhido, mas não suportava a moça indicada para madrinha: Cosma (nome diferente, em homenagem a Cosme e Damião, figuras importantes na religião católica e em afro-brasileiras) Por isso cancelou sua participação no evento do meu batismo e meus pais tiveram que, às pressas, arranjar um substituto.  O indicado, então, foi um primo: Vicente, conhecido como “Teta” (obs. Pronúncia aberta e não fechada do “e” rss)

Fui batizada por: Teta e Cosma. Mas durante a minha vida a presença deles foi rara, salvo que ele foi também meu padrinho de casamento em 1982. Há mais de 45 anos perdi o contato com  minha madrinha e nem sei onde mora. Meu padrinho, eu o via esporadicamente na casa da minha mãe. Visitei-o algumas vezes há pouco tempo. Hoje, fazendo uma análise desse elo, eu afirmo que não houve uma interação plena e satisfatória de ambos os lados. Eu o considero mais como da família do que al guém intitulado “padrinho”.

Essa preocupação levou-me a refletir bastante na escolha dos padrinhos dos meus filhos. Todavia, eu nem tive tempo de decidir sobre o primeiro filho. Quando demos a notícia de que eu estava grávida do Danilo, um amigo do Marcos, o Manuel (chamado de Mané) se auto-convidou para padrinho com tanto carinho e boa disposição que foi impossível recusar. Afinal, ele era muito companheiro do meu marido e gostava da família. Durante a infância e adolescência do Danilo, Mané e Cidinha sempre visitavam o afilhado, conversavam, brincavam e traziam presentes. Depois que meu filho ficou adulto, esse contato se reduziu por diversos motivos: houve problemas de saúde da madrinha, lamentável tragédia na família dos padrinhos e, infelizmente, o falecimento da madrinha. As coisas tomaram outro rumo, mas a amizade com o padrinho se manteve;  de vez em quando nos esbarramos na rua, na feira e em visitas raras. 

Na segunda gravidez, os escolhidos foram Vera, a minha irmã caçula e Adélio,  o esposo dela, para padrinhos da Patrícia. Foi uma troca justa, já que eu e o meu marido somos padrinhos do filho deles: o Bruno. Essas crianças cresceram juntas. Nossa família se via toda semana. Eles sempre presentes participando de cada detalhe da vida da minha filha e eu fazendo o mesmo. Esse contato frequente foi extremamente significativo. Existe um carinho e respeito muito grande que perdura. Embora as obrigações do mundo adulto ocupem muito as pessoas reduzindo o seu tempo disponível, há os momentos de se ver, trocar presentes, contar piadas, compartilhar novidades, ensinar, aprender, etc...  Não há preço para isso.

As páginas do tempo foram passando e...meu filho foi pai bem jovem: aos 20 anos. Gabriel nasceu em fevereiro de 2004 e, novamente, a preocupação referente aos padrinhos brotou logo. Entretanto, eu era avó e não cabia decidir sobre o assunto (Sugerir sim, para não perder o hábito rss). Depois de estudar as possibilidades e indicações, meu filho e a mãe do Gabriel optaram pela escolha de amigos que não formavam um casal: Leonardo e Lílian. Ele: amigo de infância e adolescência do Danilo; ela: minha amiga, colega de trabalho que frequentava a minha casa e até hoje tem amizade com todos nós.

Leonardo aceitou de coração, mas um episódio fez com que a Lílian desistisse do encargo, abrindo, assim uma lacuna que deveria ser preenchida antes do batismo da criança. (acho que já vi uma cena bem parecida com essa há uns anos...).

Precisaria ser alguém que aceitasse, sem hesitação ser madrinha do Gabriel. E foi assim que entrei nessa história. Além de avó, sou a “madrinha chicletinho”, ou seja, muito presente,  que dá presentes, beijinhos, abraços, afagos, orientações, broncas, punições e tudo o que estiver ao meu alcance e for necessário para o bem dele. Se madrinha representa a segunda mãe (de acordo com a própria etimologia da palavra), então, cumpro o meu papel com muito prazer e orgulho. Obrigada, meu Deus, por essa graça!

Leonardo, padrinho do Gabriel, é uma pessoa muito ocupada com o trabalho, os estudos, a música, a família, os amigos, as viagens, etc., porém sempre arruma um tempinho para visitar o afilhado, sentar ao chão com ele e compartilhar jogos, brinquedos,  conversas, risos, informações. Eles têm muita afinidade, tornaram-se grandes amigos e aproveitam bem o tempo quando estão juntos para matar as saudades e se divertirem. Não se veem com a frequência desejada, mas a  qualidade e o carinho de quando se encontram, é visível e  compensa.

Uma tela é insuficiente para as pinceladas que representam enredos resgatados nas memórias mais antigas e nas recentes. Despejei parte delas neste painel de reminiscências e reservei o restante para (quem sabe!) uma eventual postagem na qual eu discorra especificamente sobre: Bruno, Cristiano, Paulinho, Gabriele, Lucas, meus outros queridos afilhados. Que Deus os abençoe!


Zizi, 17/07/2016

Ela é a síntese das sensações


Voz aveludada e colorida, toque meigo e balsâmico, olhar doce e brilhante... Sons, cheiros, sabores e cores se mesclam dando origem a um ser de alma perfumada que representa a síntese das sensações, uma espécie de sinestesia personificada.

Minha mãe vive em minhas lembranças e revive nas impressões sensoriais que falam em forma de saudades. Quando ela partiu,  foi muito difícil se desfazer dos seus pertences porque cada um deles traduzia, de certa forma, parte de sua personalidade.

Ela não tinha, por exemplo,  uma preferência por um determinado perfume. Sua penteadeira era preenchida por fragrâncias diversas e uma infinidade de cremes  que  utilizava diariamente, pois  era vaidosa e gostava de estar sempre cheirosa e bonita. O aroma perfumado da minha mãe difundiu em cada cômodo e no interior daqueles móveis,  cujas gavetas, tão cheias e bem organizadas, exalavam o cheiro de uma vida.

A cozinha,  aquele santuário de  sabores e de aromas, guardou para sempre o segredo do tempero dela que eu associo ao enorme prazer em preparar quaisquer refeições: do simples cafezinho às ocasiões festivas com mesas fartas e variadas. Além do paladar singular com gosto de “quero mais” , um cheiro irresistível daquela comida invadia a rua e contagiava  vizinhos e transeuntes.

Tantos outros cheiros participaram dos seus 75  anos de existência:

O cheiro da alegria nos sorrisos e nas risadas desmedidas com histórias hilárias ou em brincadeiras carinhosas com a família e amigos.  O cheiro suave e doce do carinho materno nos momentos de colo, ombro ou cafuné sempre disponíveis, mesmo em meio a dez netos... O cheiro duradouro e exemplar da parceria matrimonial que durou cinco décadas  e, com efeito,   perpetuou-se nos descendentes. O cheiro persistente que não sucumbiu às dificuldades da vida porque seu otimismo falou mais alto e pode, assim,  presenciar várias vitórias. O cheiro convicto da fé em Deus que fertilizou os brotos e edificou suas sementes, garantindo a propagação dos bons ensinamentos...

Entretanto, a frágil saúde, vinculada ao irredutível relógio do tempo, possui limitações e não hesitou em alterar  o alegre cheiro da vida pelo triste odor da partida. Então, ela foi para outro plano, provavelmente descobrir novas fragrâncias...


Zizi, 08/07/2016

sábado, 2 de julho de 2016

A melhor canção: filhos e netos


Paródia da música: "Velha Infância"(Tribalistas)

Vocês são para mim
O princípio sem-fim
Que habitam meus momentos

E os preenchem de cores
Um arco-íris de amores
Que, com carinho, acalento.

Meus eternos bebês
Vidas que elevam o meu ser
Sorrisos lindos que iluminam
De uma forma toda especial.

Eu me encanto
Em cada canto
Com as memórias que o tempo traz

E os revivo
Nestas histórias
Cujos enredos são bem reais.

Sou muito grata a Deus
Por tudo que Ele concedeu
Bênçãos, Filhos e netos
Tornam os dias  completos.

Vocês são para mim
Flores de um lindo jardim
Que rego com alegria

Sementes que germinaram
Plantinhas que povoaram
Os versos desta poesia...

Zizi, 02/07/2016