quinta-feira, 14 de julho de 2011


O  VIRTUALISMO  DE  CADA  DIA


Afinidades, sintonia, carinho são alguns dos ingredientes fundamentais para qualquer relacionamento seja ele real ou virtual, no entanto emerge daí uma ligação tão íntima e estreita que eles acabam por se fundir em um complexo maior ainda, uma dificuldade intrínseca à questão em definir-se com precisão as fronteiras entre os mundos Real e Virtual.

A recriação da realidade  sempre foi uma necessidade do ser humano em manifestar o seu idealismo e perspectivas com relação ao mundo que o cerca. A Internet tornou-se uma ferramenta que transcende a extensão dessa realidade fazendo desaparecer os limites de tempo e de espaço e possibilitando o acesso rápido, prático e organizado às informações que fundamentam e atendem as nossas necessidades do dia-a-dia. Pode-se até afirmar que a busca pelo conhecimento supera a sede de conquista pelos bens materiais.

Ciclicamente a história se desenvolve e estamos novamente às portas de um novo mundo. Não dá para ignorar esse contexto atual no qual a tecnologia da informação aliada aos avanços das telecomunicações foram decisivos para o processo de globalização e a formação de uma sociedade cada vez mais virtualizada. Em pouco tempo, todo um portifólio de costumes, hábitos e até mesmo de valores foram alterados, ou melhor dizendo, foram adaptados à essa nova face .

Essa mudança  não só gerou  laços econômicos, sociais, culturais e outros como também estreitou relacionamentos que antes não existiam.  O melhor exemplo disso são os contatos e as interações que acontecem em fóruns, grupos de discussão,  chats e comunidades   dentro do universo cibernético denominado amizade virtual. Ela chega para preencher aspirações diversificadas, pois as intenções que se escondem por trás desses relacionamentos transitam desde a simples busca de companhia para amenizar a solidão, o preencher da ociosidade, a troca de informações e aprendizagem, as  descobertas  de afinidades, a  curiosidade em conhecer o novo e distante, etc.

Porém, chegam em muitos casos, a perda  da ética com posturas e atos libidinosos favorecendo  a liberação total e sem limites dos instintos primitivos cujo nível de valor torna-se rasteiro e pegajoso. Logo, é urgente e crucial a criação de uma medida que possa nortear essa “liberdade” nos contatos virtuais.
Enquanto não temos esse apoio ou recurso, cabe a cada um fazer o seu papel, evitando as máscaras supérfluas e construindo o próprio espaço virtual com tijolos da ética e do bom senso. Só assim podemos desfilar de cabeça erguida sem cair nas armadilhas geradas pelas más conseqüências dos atos.

A verdade é que a Internet transformou-se em um poderoso fenômeno social e pessoal embora haja sempre duas faces para a mesma moeda;  portanto é muito relativa a escolha que cada um faz. Só mesmo quem convive nesse contexto pode compreender alguns pormenores que não têm  uma explicação lógica: como entender o carinho gratuito, a confiança em quem nunca se viu, o abraço afetuoso sem a presença dos braços, os beijos desprovidos de  lábios,  o riso no silêncio, o enxergar com os olhos do coração, o calor humano transpassado à tela do computador, a alegria contida num singelo e-mail recebido, o bater mais forte do coração depois de ler um simples cumprimento, a expectativa e contagem minuciosa e angustiante dos minutos até aquele alguém especial ficar  on line...
Utopia? Devaneios? Idealismo puro? Recriação da realidade? Tudo isso junto? Ou haverá outra definição mais plausível para tais condutas típicas  da sociedade do século XXI?

Não concordo com a idéia difundida de que os bancos das praças e as descontraídas conversas no portão deram lugar ao frio universo virtual povoado de cadeiras e computadores e que tal atitude contribui efetivamente para o isolamento do indivíduo. Os amigos tradicionais (definidos como reais)  permanecem, pois têm lugar já conquistado há tempos. Ao meu ver, busca-se novas alternativas de contato para expandir círculos de amizade,  usufruindo dos benefícios da  tecnologia junto à  praticidade e  rapidez obtidos pela  Internet, assim nascem os amigos virtuais.

Baseado em conhecimento empírico, cuja somatória das horas permite-me um histórico com paradigma extenso e povoado de enredos dos amigos virtuais com conteúdos variados, posso afirmar que essa nova e moderna forma de estabelecer  vínculos apresentam algumas vantagens em relação a forma tradicional: ela desconhece diferenças sociais e até mesmo culturais, a falta do interlocutor diante de nós possibilita uma sinceridade ainda maior, embora isso não seja regra geral, pois há casos em que acontecem justamente o contrário, as  pessoas assumem personagens que nada têm a ver com a sua essência e depois mergulham na depressão e tornam-se ainda mais vazias.

Fica provado que as emoções brotam e são desenvolvidos independentemente da presença física do outro, o virtual torna-se um palco que fecunda sentimentos e os expõem, portanto a provável frieza passa bem longe desse universo e é nesse sentido que afirmo que há uma junção dos mundos: virtual e real, pois as sensações não são simuladas, são reais e a conexão está no ser humano.                                                                                                                                                                 

Zizi, 30-12-06



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