sábado, 16 de outubro de 2021

Aposentar, é preciso

I
Hoje nossos corações
Tocam uma melodia
Cujas notas são as vozes
Que ecoam em sintonia:
Parabéns, Rute Querida,
Sua missão está cumprida,
Viva a aposentadoria! 

II
Tantos anos trabalhados
Em prol da educação
Vários cargos ocupados,
Atuou com perfeição,
Suas sementes brotaram,
Cresceram e espalharam
As raízes pelo chão.

III 
Além de profissional
De valor imensurável
É amiga, é parceira
Um ser humano notável
Que ilustrou a nossa história
Com muita luta e vitória
Num elo inseparável.

IV 
Grata pelo seu trabalho,
Grata por sua amizade,
Grata pelo seu carinho,
Grata pela lealdade,
Grata pela simpatia,
Grata pela sintonia,
Grata mesmo de verdade.

 V
Mas, agora é o momento
De curtir o seu direito,
De mudar sua rotina,
Receber o que foi feito.
Ter outras prioridades,
Passear pelas cidades,
Explorando do seu jeito

 VI
A linha do tempo mostra
Fatos que foram marcantes
Aposentar-se é um deles
Entre os mais relevantes
É um divisor de água
Isento de qualquer mágoa,
Que tenha sido importante.

VII 
Porque a aposentadoria
Não é linha de chegada,
A luta do dia a dia
Não permite uma parada;
Descobrir mais desafios,
Desatando os nós dos fios,
Aceitar ser renovada.

VIII 
Parabéns, pessoa linda,
A saudade já aperta,
Mas você já é presente
Nas paredes que nos cerca,
Sua força é sua luz,
Que orienta, que conduz,
Numa medida mais certa.
 
 Zizi, 01/10/2021 


segunda-feira, 27 de setembro de 2021

FRIDA

Frida

Fe-ri-da??

Sou  Frida!!

Sofrida??

Só Frida!!

 

Artista querida,

Sempre colorida,

Intensa e garrida,

Ousada para uns,

Para outros, atrevida.


Zizi, 26/09/2021


domingo, 26 de setembro de 2021

Sou "free", sou FRIDA e não me KAHLO


(Texto costurado a partir de 39 obras de Frida Kahlo)


Minha história é umA MOLDURA onde a vida pincelou fatos dramáticos desde MEU NASCIMENTO até a última seiva de vida.

Ao nascer, fui amamentada por uma índia. Assim, MINHA AMA E EU criamos um vínculo afetivo e familiar.

Ao seis anos tive paralisia. Aos dezoito, um simples passeio nO ÔNIBUS transformou-se em ACIDENTE, 17 DE SETEMBRO DE 1926, foi a data da tragédia,  

Tive minhA COLUNA PARTIDA, cujas dores e limitações me transformaram numa (quase) MENINA COM MÁSCARA DA MORTE.

Estive no HOSPITAL HENRY FORD deitada e imobilizada como umA MESA FERIDA. 

As tentativas de cura não cessavam: cirurgias, tratamentos, mas o pior estava a caminho para FRIDA E O ABORTO.

Adormecia PENSANDO NA MORTE, naqueles dias longos, SEM ESPERANÇA.

Era O SONHO da maternidade se dissolvendo como se fosse UMAS FACADINHAS DE NADA.

Porém, minhas RAÍZES mexicanas sussurravam da ÁRVORE DA ESPERANÇA:  “MANTENHA-SE FIRME”. 

Quem sabe, MEUS AVÓS, MEUS PAIS seriam aquelas vozes que soavam no meu delírio onírico?

Mas a vida deu compensações: A arte me permite eternizar pessoas e fatos. Afinal, para que preciso de pernas se posso ter asas?

Pintei o RETRATO DO MEU PAI WILHELM KAHLO, em seguida foi a vez de registrar MINHA IRMÃ CRISTINA como prova do meu carinho fraterno, sem esquecer da querida DONA ROSITA MORILLO.

Há obras que explicitam o interior da minha alma. Nesse sentido nasceram diversos AUTORRETRATOs:

Vestida COMO TEHUANA, mostro meu lado índio;

Caprichei no AUTORRETRATO DEDICADO A LEON TRÓTSKY, o revolucionário soviético;

Ao ser ferida pelo amor, pintei AUTORRETRATO COM COLAR DE ESPINHOS E BEIJA-FLOR;

Fiz mudanças no meu visual: troquei o CABELO SOLTO para CABELO CORTADO;

Retalhei meu VESTIDO DE VELUDO porque não havia sentido aquela ostentação.   

AÍ PENDURO MEU VESTIDO no armário e visto calças masculinas para causar (Adoro provocar!!)

Meu cachorro, MACACO E PAPAGAIO são os filhos que não pude ter:

EU E MEUS PAPAGAIOS somos cúmplices na agitação e no colorido.

Amo também O SOL E A VIDA e observo o quantO QUE A ÁGUA ME DEU de energia para suportar todas as mazelas da vida. 

Sinto-me frágil, semelhante aO VEADO FERIDO que não consegue se livrar das garras do predador.

DIEGO E EU nos apaixonamos à primeira vista e logo passamos a casal: FRIDA E DIEGO RIVERA. 

Entretanto, o apetite do amor gerou AS DUAS FRIDAS: a amante e a esposa:

Uma relação tão intensa como O ABRAÇO DE AMOR DO UNIVERSO que percorre A MEMÓRIA, O CORAÇÃO e crava lá a sua morada infinita. 


Zizi, 26-09-2021


sábado, 26 de junho de 2021

CAROLINA EM VERSOS DE CORDEL

 

I

A nossa literatura,

com orgulho, apresenta

uma de suas autoras

com a visão mais atenta

aos problemas sociais

 e os descasos gerais

que o preconceito ostenta.

 

II

Sua vida foi marcada 

por esforços , sofrimentos,

humilhações, injustiças,

perdas, desentendimentos,

mudanças de residência,

ascensão e decadência,

e seus relacionamentos.


III 

Nascida em Sacramento

que fica em Minas Gerais,

filha de analfabetos,

cresceu em áreas rurais,

sua infância foi sofrida,

por ser negra e desprovida 

de posses materiais.


IV 

Acusada de ser bruxa

pelo muito que sabia,

pois estudou só dois anos,

bem menos que pretendia,

 Aprendeu o necessário,

leitura e  vocabulário

 viraram  prosa e a poesia.


Quando veio a São Paulo 

buscando a sobrevivência

morou no interior,

Adquiriu experiência,

Depois foi pra capital

pois era lá, afinal, 

o centro das referências.


VI 

Trabalhou como doméstica

com direito à cultura,

nas folgas, aproveitava

praticava a leitura.

Todo esse  conhecimento

trouxe base e fundamento

à sua literatura. 


VII

Sua condição humilde

a levou para a favela

Lá morou mais de 10 anos,

Viveu todas as mazelas,

Criou três filhos sozinha,

com os recursos que tinha,

frutos do trabalho dela.


VIII

Carolina de Jesus

fez das tripas, coração,

contra as adversidades:

pouco “SIM” e muito “ NÃO”,

nunca desistiu da luta ,

encarou toda a labuta

Sem perder a inspiração.


IX 

Sem apoio ou escolha,

fez das ruas sua renda,

catava ferros,  papéis 

e os levava para venda

Dessa forma, garantia

o alimento aquele dia

E o lixo tornou-se a prenda.


X

Nos cadernos recolhidos

Carolina aproveitou

transformou-os em diários

registrando o que a marcou.

Com toda a propriedade

expôs a dura verdade

e tudo que pode, contou.


XI 

Grandiosa mulher negra

poetisa e escritora

retratou fome e miséria,

não como espectadora,

Sem adorno ou fantasia,

relatou o dia a dia 

da vida de catadora


XII

Quem lê “Quarto de Despejo”

enxerga, com precisão,

o quanto a fome devora,

aquela população

que é  marginalizada

e totalmente ignorada

pelo sistema vilão.


XIII

Seus escritos explodiram

foi sucesso garantido

dentro e fora do país

o seu grito foi ouvido

Aquela oportunidade

a tornou celebridade,

Seu sonho foi atendido.


XIV 

A mesma sociedade

que sempre a rejeitou

quis compartilhar o brilho

e ao lado dela ficou

para fotos, entrevistas,

nos eventos elitistas,

que a fama lhe reservou.


XV 

Porém, todo esse glamour

efêmero e pontual

tem prazo de validade

bem menor que o ideal:

O tudo virou em nada,

sua voz silenciada

de forma tão desleal. 


XVI

A miséria e a fortuna

conviveram atreladas

como faca de dois gumes

drasticamente afiadas

machucaram as raízes

restaram as cicatrizes

para que sejam lembradas. 


XVII 

Mais uma vez a mulher

mostra uma superação

emergindo em campo infértil

semeia sua oração:

duela com o preconceito

luta pelo seu direito

e prova que tem razão.


XVIII 

Carolina de Jesus

autora e personagem

símbolo de resistência

Um ícone de coragem,

autêntica  , realista,

consciente, feminista,

A você, minha homenagem!

 

Zizi, 26/06/2021