sábado, 15 de outubro de 2011

Qualidades sensoriais



Qualidades sensoriais

Há muito em tua pessoa
Que se sobressai aos demais
Um conjunto harmonioso
De palavras, atos e pensamentos
Concomitantes com qualidades sensoriais.

Teus dedos tocam firmes e suaves
Os acordes de uma melodia
Que traduz a nossa amizade:
Simples na elaboração,
Sofisticada na interpretação
Silenciosa na compreensão
E sonora na apresentação.

Tuas mãos aquecem e iluminam
Os labirintos internos e ocultos.
Teu carinho poupa-me as lágrimas
Resultantes daquelas chagas mal curadas
Que vazavam pelas veias cardíacas.

Teu olhar perspicaz
Observa e capta as ocorrências iminentes
E as conduz para o vale do saber;
Teus pés vão à frente
Traçando trilhas que facilitam a minha jornada.

Teu sorriso traz conforto
E acaricia a minha angústia;
Tuas palavras preenchem as colunas vazias
Deixadas pelo fantasma da solidão
E pelo monstro da indiferença.

Tua percepção apurada vasculha a minha alma
E expulsa os espinhos existentes
Com o doce aroma do teu companheirismo
E a sabedoria contida em teus conselhos.

Diante dessa multiplicidade de sentidos
Não me restam dúvidas:
És alguém iluminado,
O meu melhor presente
A minha maior vitória,
Uma bênção!
Que mais posso desejar?

Analogia: Apolo e Apollo


ANALOGIA:
  APOLO E APOLLO

Num mergulho na antiguidade
Resgato valores mitológicos
Que o tempo não conseguiu adormecer.

Paira nos homens
Aspectos análogos aos deuses;
É o vínculo em forma de ponte
Que os identifica e unifica.

Num passeio pelo Olimpo
Deparei-me com aquele
Sinônimo de luz
Tanto física quanto espiritual,
Eternamente jovem
De beleza sem igual;

Busca da perfeição de caráter,
Estímulo da arte e da música,
Inspiração e realização no amor.
Estaria eu diante de um deus???
Tantas coincidências intrigavam-me
Conheci, pois, um filho de Zeus.

Da ligação com Leto veio APOLO,
Uma vitória que flui em liberdade
Dando mais sentido a vida,
Conduzindo o equilíbrio e a verdade.

Um outro dia, num certo lugar
Manuel e Idalina
dois nomes....dois destinos : o encontro
olhares entrelaçados
corações num mesmo ritmo.

Num breve lance de magia
A química aconteceu.
Percebem então,
Que deles vira alguém especial,
Uma resposta as dúvidas
E a espera não foi em vão.
O ventre dela torna-se fonte de esperança
E dádiva da existência.

Concebe e presenteia o mundo
Com APOLLO : sua obra-prima!
A extensão majestosa
Em graça , sabedoria e liderança.
Síntese das qualidades elevadas,
Sorriso pigmentado de alegria,
Olhar magnético que desnuda,
Sussurros que ecoam na alma
E provocam nas mulheres
Delírios líricos e coloridos.

APOLO E APOLLO......QUAL?????
O mito ou o real?
Qual distância os separa?
Qual elo os aproxima?
Características se fundem...
Valores que repetem...

São linhas divergentes
Com enredos atemporais
Encaixam-se perfeitamente
E seguem caminhos desiguais.
A simetria continua,
Como harmonia na canção,
Uma eclipse atua
E completa tal junção.

(fevereiro/2003)






ROTINA



TRIMMMMM!!
Bocejo...
Cobertas ao chão
Chinelos
Água, sabão
Escova, pente , toalha,
Perfume, roupas
Café
Hummmmmmmm!!!

Cigarro
Carro
Trânsito
Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!!!

Escritório,
Seguros,
Telefone,
Reuniões
Blá, blá, blá, blá, blá, blá. Blá...

Internet,
Almoço,
Risadas,
Cigarro,
Heheheheheheheheh!!

Passeio,
Mar, vento,
Piscadas,
Risos,
Afagos,
Sussurros,
Dois em um,
ÊXTASE!!
Ahhhhhhhhhhhhhh!!!!!

Trabalho,
Clientes,
Cigarro,
Telefone,
Ufaaaaaaaaaaaaa!!!

Chats,
Músicas,
Privados e mais privados,
Amizades,
Amores,
Ilusão/desilusão
Tic-tac, tic-tac, tic-tac
Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz!!!

                                                                           (Zizi, 2003)

Tema: Momento mágico



Proteção materna é magia  
Uma gaveta toda revirada. É assim que me senti quando mergulhei, de uma só vez,  meus dedos , olhos e pensamentos nessa linha do tempo, em busca de encontrar  uma  cena e classificá-la como o  momento mágico  mais peculiar do meu contexto materno. 

Sem uma resposta de imediato esperada, o que eu provoquei foi uma avalanche delas.. Que difícil! Entretanto, a seleção é  fundamental, tem que ser definida...mas qual  critério seguir ?   Pela magia? Admiração? Encanto? Fascínio? Ilusionismo? Sobrenatural?  Qual quadro devo pendurar desta vez que retrate com totalidade algo especial,  ou quem sabe, transcendental? 

O momento do nascimento é mágico; a amamentação é mágica; o embalar é mágico; o crescer e o desenvolver  de um filho é mágico; as primeiras palavras são mágicas; os primeiros passos são mágicos; o carinho  e vínculo entre mãe e filho é mágico; o dia-a-dia de mãe e filho, com todos os atropelos, alegrias e surpresas é mágico...

Passar pela maternidade é receber uma graça e compartilhar com Deus uma parcela do Seu amor. Desenvolve-se, a partir daí,  um novo sentido (Quem sabe o sexto, sétimo ou oitavo deles) para tornar-se mais apta,  capaz de zelar, com todas as letras do pequeno e indefeso ser que foi entregue com permissão divina. Proteção: uma palavra-chave que atiça os instintos maternais a tal ponto,  que,  “estar de plantão”, para uma mãe, não é nada difícil, pois isso acontece até inconscientemente.  Bem... vamos aos fatos:

Uma vez, eu deixei minha pequena, de poucos meses,  alguns minutos  sozinha no quarto e fui atender o portão. Enquanto eu dispensava a tal pessoa,  comecei a me sentir estranha, com falta de ar e um incômodo inexplicável. Parecia que estava “fora de órbita” e só conseguia pensar  na minha filha .  Tratei de entrar correndo e quando cheguei no quarto a encontrei passando mal, sem conseguir respirar. Rapidamente a socorri e consegui  acalmá-la. Só de imaginar o que poderia ter acontecido a ela se eu não tivesse seguido à minha intuição, me faz ficar arrepiada. Graças a  Deus minha conexão com ela estava 100%. 

Alguns anos depois, a caminho do trabalho, senti que o meu filho (de mais ou menos doze anos naquela época) corria perigo, não sabia por qual motivo, mas ele precisaria de mim. Nem hesitei. Desci do ônibus e me dirigi à escola onde ele estudava. Confirmei minhas suspeitas: um colega seu tinha reunido uma turma para dar uma surra nele. Estavam distribuídos em lugares estratégicos,  em frente à escola esperando-o para o “massacre”.  Meu filho nem sabia dessa armadilha. Eu me dirigi a eles, tive uma conversa looonnnga e muuuuiiiiiito difícil, mas consegui fazê-los mudar de idéia. Novamente agradeci a Deus pelo “toque” e por me ajudar a resolver tal questão. Depois do ocorrido, lógico: vem as lágrimas de emoção e de agradecimento.. 

Esses dois episódios extremamente significativos, para mim, estão diretamente ligados por um elo:  “o  toque”,  que nomeio e eternizo aqui  como  o momento mágico.  Como é  forte o sentimento de proteção de uma mãe,  um tipo de preservação   da espécie que não tem preço! é um vínculo sublime que  ultrapassa à explicação da lógica e o formalismo da ciência!
                                                                                                                           Zizi, 15/10/2011

sábado, 1 de outubro de 2011

Tema: Saída da maternidade

                                      De volta para casa
 
É acionado o alarme biológico; não há como recuar, mesmo porque desejamos logo concluir esse ciclo e dar as boas-vindas ao novo ser. Foram nove meses de expectativa, preparo do enxoval, idas e vindas ao médico, gradativo aumento de peso, etc, etc. Depois, a chegada ao hospital e finalmente: o parto.
A mesma ansiedade que me trouxe, agora exige o retorno ao lar. Chega de ficar presa no quarto!  Sinto-me uma refém. Não posso fugir sozinha. Que vontade de invadir o berçário e pegar o que me pertence!  Todavia sou obrigada a aguardar as orientações médicas e a  tão sonhada palavra “alta”. Saudade tem cheiro de fome e eu preciso me alimentar!
Por duas vezes estive nessa situação, mesmo que tivesse sido mais, não me acostumo a ficar em hospital. Sou inquieta demais, sinto-me presa cercada em quatro paredes. Apetece-me  cuidar das minhas coisas, testar as minhas competências e habilidades maternais na minha casinha, meu santuário!
"Não há lugar melhor do que a nossa casa!" Uma verdade, para mim, incontestável! Só lá nós somos livres e donas do pedaço! Só lá nós mandamos e desmandamos! Só lá nós temos o trono e somos a rainha.E é lá que formamos, criamos e preservamos a família” (Quando li o post da Dani achei lindo o título e  fiz um comentário, não resisti e trouxe-o para cá, por isso as aspas).
Aquele ensaio todo durante a infância, as simulações com minhas bonecas, tudo isso deveria servir para alguma coisa, afinal brinquei até os doze anos. Durante a adolescência, eu cuidei dos filhos de um tio.  Será que isso bastava? Não estava zerada (que alívio!), mas tinha um grande caminho a percorrer,  mesmo  porque  aprender no dia-a-dia como ser mãe é uma experiência enriquecedora, contínua e única.
Lembro-me que minha mãe teve suas filhas em casa. Quando chegava a hora, meu pai nos levava à casa de uns parentes e quando retornávamos,  a surpresa: mais uma criança nascera! Tudo aquilo me deixava confusa, não entendia o processo, mas ficava feliz por ter  ganhado mais uma irmã.  Passados os anos, já casada, a história se repetia  com duas diferenças significativas: a protagonista era eu e o local não era a minha casa, e sim um hospital.
Mas venci a ansiedade (não tinha escolha), aguardei todos os procedimentos, acompanhei a contagem regressiva. Fui recepcionada pelo maridão que me recebeu com flores da primeira vez. Na segunda, ele não trouxe  flor, mas o fruto:  meu filho. Quando este me viu, veio correndo me encontrar. Estava curioso para conhecer a irmãzinha. Eu, cansada, com dores, sorri feliz: “como é bom estar de volta à minha casa!”  

                                                                                                Zizi, 01/10/11