sábado, 27 de fevereiro de 2016

Filhos e Netos: o melhor presente!

Tema: "Do que eu sinto falta"
Texto publicado em 20/02/2016 no blog : 
http://materna-idade.blogspot.com.br


Filhos e netos:
o melhor presente!!

Minha contribuição
Para  o ” MATERNA-idade”
É em versos de cordel
Pra falar sobre a saudade
Que percorre na memória
Ao lembrar de tanta história
Que me traz felicidade.

O Danilo e a Patrícia,
Minhas eternas crianças,
Hoje são profissionais,
Da mais alta confiança,
Lutaram com excelência
têm a sua independência,
No  saber e liderança.

Hoje olho para eles
E me custa acreditar
Que os rebentos já cresceram
E decidiram voar
Tecendo o próprio ninho
Construindo o caminho
Por onde vão transitar.

 Enquanto eu os contemplo
Com  orgulho maternal,
Permito que as memórias
Revivam, pois, afinal
Recordar é preciso,
O passado eu valorizo
Um presente sem igual

Quando Deus me contemplou
Com  Danilo e  Patrícia
Fiquei  tão agradecida
E feliz com a notícia
Com total  dedicação
Dei  carinho, atenção
Mil beijinhos, que delícia!

Eles eram os brinquedos
Que mais me faziam bem
Eu só queria estar
Com eles e mais ninguém
O tempo havia parado.
Tornara-se um aliado
Ou eu era sua refém?

Acompanhei bem de perto
Todas as evoluções
Do dentinho à palavra
Dos passinhos às lições
A infância foi acabando
Adolescência chegando
Trazendo mais emoções.

A  nova etapa chegara
Mudando a cor do painel
Faculdade para os filhos
Muito trabalho e papel,
Mas, Deus tinha outro plano
Enviou naquele ano
Meu querido Gabriel.

Meu netinho trouxe luz
E mudou todo o cenário
Preparou novo contexto
E não ficou solitário:
Um milagre aconteceu
O Johnny  logo nasceu
Lindo, forte, necessário.

Fico, assim, emocionada
Ao falar dos meus amores
A saudade me rodeia
Mas não me provoca dores,
Cultivei boa semente
Que brotou rapidamente
Todas essas minhas flores

Não há perdas,  e sim ganhos
Nas fases da nossa vida,
Pois em cada uma delas
Há subida e descida
Com atalho ou desvio
Ela mostra um desafio
Que compõe a nossa lida.

Zizi (20/02/2016)



terça-feira, 26 de janeiro de 2016


Cordel:
CONTOS AFRICANOS

Vou mostrar nesse cordel
Um trabalho original
Com os contos africanos
Cuja origem é oral
Que traz muito ensinamento
E preserva  o sentimento
Com  energia vital.

A cultura africana
Berço da humanidade
Tem a força na palavra
Através da oralidade
Ganha vida a fantasia
Que ensina com alegria
Seus valores de verdade.

Temos que valorizar
Os saberes africanos
Não podemos mais deixar
Ficar em segundo plano
Resgatar suas histórias
Que estão vivas na memória
Desse povo muito humano.

As raízes do Brasil
Lá na África estão
Negar essa identidade
É perder toda a razão
Porque somos o segundo
País mais negro do mundo
Por causa da escravidão.

                                Zizi, set/2015



segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Um cordel da Zizi


Quero que vocês aprendam
sobre versificação,
pois compor versos é arte
não é pra qualquer um não,
tem que gostar de escrever
para ter o que dizer
sem ficar de enrolação.

Quero compor um cordel 
Mas não posso me esquecer 
Que esse tipo de poema 
Regras tem que obedecer 
Os versos em redondilhas 
Com estrofes septilhas 
Isso tem que aparecer. 


A estrutura é importante, 
Mas não é essencial 
Desenvolver bem o tema 
É que é fundamental 
Para chamar a atenção 
Tocar bem no coração 
E tornar-se especial.


domingo, 9 de junho de 2013

A palavra e a sua potência

Reflexão da Semana: A palavra e sua potência
28/03/2012, 22:22:52


“Ai, palavras, ai palavras, 
que estranha potência, a vossa!”(Cecília Meireles)
 

Embora o conteúdo teórico deste módulo tenha sido maçante no que diz respeito às extensas leituras acerca do tema “Análise do discurso”, impossível não admitir sua contribuição positiva quanto à ampliação da visão para a leitura tornando-me, assim, uma leitora mais atenta e experiente. Foi na prática, a partir dos exemplos trabalhados passo a passo sobre a atuação do discurso dentro dos diversos textos, que a teoria se materializou e fez sentido, pois no cotidiano de um professor de Ensino Médio e/ou fundamental o estudo a respeito dos textos ficava mais voltado à caracterização da sua forma (tipologia, gênero, estrutura, etc.).
 

Tudo isso leva a pensar como e quanto o desenvolvimento da linguagem está relacionada à incansável necessidade que o homem tem de se comunicar seja por textos verbais (orais, escritos) ou não-verbais. Ora ele ora quer falar, ora quer ouvir. As vezes é autor, outras leitor. Dependendo do contexto e da intenção, ele assume um determinado discurso que pode ser autoritário, lúdico e polêmico, ideológico, ou outros. Gostei, sobretudo, da análise dos textos publicitários com suas sequências textuais variadas junto ao discurso que os aciona. A partir dessas referências pode-se perceber a função-autor e imaginar o efeito-leitor.. A atividade autocorrigível retomou os textos publicitários para enfatizar os efeitos de sentido que eles possuem. Outro ponto novo e interessante (para mim) foi a quebra de expectativa mostrada em dois exemplos com gêneros: no trecho do prefácio de Calvino no qual ele faz alusões sugestivas e criticas e na inovadora nota de rodapé do texto de Rodolfo Walsh. A partir desses exemplos podemos concluir que não existe um modelo pronto para tipo ou gênero textual, Os textos representam “leques” de possibilidades nos quais transitam discursos e sequências textuais . Muitas informações neste módulo? Sim, mas tenho consciência de que uma fila delas aguardam para entrar em cena nos próximos dias e continuar nos fazendo boa companhia “lexicalcalmente”.
 

As entrelinhas de um texto

As entrelinhas de um texto
05/03/2012, 16:19:02


A leitura do tópico 2 no AVA “Práticas de leitura e efeito-leitor” traz uma reflexão sobre a prática da leitura, sua autoria e o efeito no leitor. Afirma que qualquer discurso em um texto é produzido com base em um contexto, possui, portanto objetivos e um público alvo, pois há vários elementos a serem observados como: sentido e condições de produção. Exemplos são citados, em especial um enunciado tirado de um painel eletrônico. Embora alguns textos (como piada, avisos, provérbios, etc.) tenha sua autoria se perdido e mesmo assim ele circula normalmente atravessando gerações. Toda leitura é significativa, mesmo aquelas ignoradas pelo sistema dominante, que foram consideradas pouco importantes para a formação do leitor. 

O texto complementar: ”Um estranho no ninho – Entre o jurídico e o político: o espaço público urbano” de Mónica Graciela Zoppi-Fontana faz uma profunda análise de discurso tendo como base frases de orientações que aparecem em um painel eletrônico na rodoviária Tietê, em São Paulo. O autor do texto é desconhecido, mas o destinatário não, pois os enunciados que aparecem, fazem referência a dois níveis de pessoas: 1º: usuário/passageiro/consumidor(que pode corresponder a uma mesma pessoa em situações diferentes); 2º designados “estranhos”, que são os possíveis mendigos (pedidores de esmola), vendedores ambulantes, profissionais não credenciados. O texto funciona como um “alerta”, dando a entender que tais pessoas(os estranhos) representam uma ameaça à segurança de todos aqueles que estão circulando por aquelas dependências por estarem atuando de forma ilegal, segundo os responsáveis pela organização e segurança do terminal rodoviário. Percebe-se, por trás de tão poucas palavras, a exclusão e a discriminação em relação aos mendigos, aos vendedores ambulantes e às pessoas que trabalham por conta própria, porque, de certa forma eles não são “contribuintes” do sistema organizacional, que supostamente é responsável pela ida e vinda das pessoas que transitam em um terminal rodoviário. Em contrapartida, os usuários/passageiros/consumidores são , supostamente, “acolhidos” e “protegidos”, desde que obedeçam às orientações por eles enviada através de um painel eletrônico cuja linguagem imperativa é um apelo para afastar aqueles elementos “mal vistos”. A comunicação acontece direta ou indiretamente entre as pessoas porque comunicar-se é condição para o preparo da vida.

Discurso , imaginário social e conhecimento

Reflexão Semana 3
20/02/2012, 20:28:56


O texto de Orlandi tem como título: Discurso, imaginário social e conhecimento. Seu conteúdo é extremamente teórico e muito complexo ,exige várias leituras para uma médio entendimento do conteúdo. O tema não é difícil de assimilar, mas sim a forma como é abordado e desenvolvido. Podemos dizer que o discurso do autor não está em sintonia plena com leitor. Talvez o tema seja tão óbvio que dificulte uma completa compreensão. Eu fui destacando trechos significativos para depois tentar elaborar um resumo e a partir daí entender melhor, mas não deu certo. 

Por outro lado, a exposição no AVA não está tão distante da compreensão, pois há um roteiro no qual o assunto é discorrido e isso facilita o entendimento. o tópico3 engloba: : Constituição, formulação e circulação dos discursos Fala-se muito que o discurso é visto como efeito de sentido e este muda de acordo com suas condições de produção. Um bom exemplo disso é a frase apresentada: “Abaixo a ditadura” mostrada em contextos diferentes; em cada um deles a mesma frase adquire sentidos diferentes, embora seja vista como uma forma de protesto.

Enunciação e posições discursivas: as imagens

Reflexão Semana 2
09/02/2012, 21:49:57


O tópico 2 desenvolve o tema “Enunciação e posições discursivas: as imagens” com uma linguagem mais didática que o texto de Orlandi (1994) que é mais teórico e, portanto, um tanto complexo. No final do tópico 2, há duas atividades autocorrigíveis que tem como tema textos publicitários antigos e atuais nos quais se faz uma análise do discurso empregado na elaboração da propaganda dos mesmos. Todos os recursos utilizados (como imagem, linguagem, valores familiares, informações necessárias sobre o produto, tipo de letra, etc) para impressionar e convencer o consumidor são comentados nessa análise. Quantos elementos são envolvidos numa simples elaboração de uma propaganda! E é por isso que ela é fundamental e garantia de uma boa venda, se for trabalhada adequadamente. 
Um texto publicitário mescla aspectos verbais e não-verbais; para uma boa compreensão do um discurso utilizado, é necessário conhecer as condições nas quais ele fora produzido porque muitos conceitos e valores representam determinadas épocas e/ou lugares sociais.
 

A comunicação antes e depois

A comunicação antes e depois                        
06/02/2012, 20:40:11


A necessidade de comunicação entre as pessoas foi o elemento motivador que favoreceu o desenvolvimento da linguagem. Os povos primitivos deixavam os registros de suas caças nas pedras em forma de desenho. Desde então ampliou-se o processo comunicativo e hoje vivemos em um mundo “bombardeado” por mensagens de diferentes gêneros tanto na linguagem verbal quanto da não-verbal. 
Um texto ao ser produzido está vinculado a vários fatores como: época, lugar, contexto histórico e social. Nos dias atuais, por exemplo, os recursos tecnológicos tornam as mensagens muito mais dinâmicas e atrativas a partir da junção de textos verbais, imagens e movimentos. Um texto não tem um fim em si mesmo, ele apresenta, de forma explícita ou implícita, relações com outros textos, dependendo do conhecimento de mundo do emissor. Embora as informações de um escrito estejam vinculadas a algum fato ocorrido em uma determinada época, há elementos que se mantém ocultos, mas que podem ser decifrados por aqueles com um maior senso de observação. Um texto faz sentido para nós quando remete a outros discursos que conhecemos, e caso não conheçamos, não podemos nos esquecer de que houve em algum lugar e data condições específicas que propiciaram a sua criação.


Refletindo sobre gêneros textuais

Reflexão da semana 8
25/03/2012, 11:03:20
A leitura do tópico 2 (tema 3) desta semana tem como abertura um trecho de Luís Antônio Marcusch “Gêneros textuais: definição e funcionalidade”, para complementar e elucidar o estudo sobre agrupamento de gêneros textuais e apresenta, também, uma tabela que inclui os aspectos tipológicos dos gêneros orais e escritos, seus domínios sociais e as capacidades de linguagem dominante que são trabalhados nas escolas. Apesar de mencionar sobre a diversidade dos tipos textuais: narrar, relatar, expor, argumentar e descrever ações, o texto enfatiza o gênero expor porque este permite um agrupamento maior de outros gêneros no desenvolvimento de um conteúdo. Para tal , retoma como exemplo o texto “Por que não vivemos para sempre?” (cuja leitura fez parte de estudos e reflexões anteriores), mostrando, assim, como se dá o processo de aprendizagem a partir dos recursos concedidos na utilização desses gêneros e suas respectivas sequências textuais. Na abordagem do tema texto “Por que não vivemos para sempre?” , o autor mescla informações científicas e argumentações, além de mostrar imagens variadas com o intuito de apresentar de forma mais clara possível o tema e causar, no leitor, uma maior influência. 

Na formação do conhecimento escolar , o aluno tem contato constante com o gênero expor, pois precisa conhecer e aprender as definições, classificações e detalhes sobre diversos conteúdos. Para isso, as informações transitam de diferentes modos: ora com redundância (fixar pela repetição), ora como reescritas (mostrar que consegue dizer o mesmo com outras palavras), além de outros caminhos que contemplam à aprendizagem. Alguns elementos dificultam a compreensão dos textos expositivos: o desconhecimento do leitor com relação ao tema; vocabulário com linguagem muito técnica; multiplicidade de linguagens que acompanha o desenrolar do texto; sua dimensão; os vários recursos de textualização. Essa característica não deve, entretanto, impedir uma apreciação de um texto expositivo, tampouco reduzir seu valor como parte essencial na formação discente, já que desafio é uma palavra-chave quando se pretende mesmo aprender

Mais um pouco sobre sequência textual

Refexão da Semana 7
19/03/2012, 17:13:03


O início do tópico traz poemas de Cecília Meireles e de Carlos Drummond para serem usados como modelos de textos que apresentam mais de uma sequência textual. Surgem, a seguir, reflexões acerca do conteúdo dos textos e, assim, percebemos que eles, embora possuam uma linguagem com características injutivas, não podem ser rotulados com tal nomenclatura porque a ideia do poema é refletir sobre a vida e não ensinar fórmulas (como uma receita). Pelos vistos, muito ainda temos que ver e aprender sobre tipos, gêneros e sequência textual. O fórum, as leituras e produções de textos trabalhados nas semanas anteriores foram um “aquecimento”, um preparo numa linguagem mais simples para depois complicar um pouquinho. 

O tópico 1 traz uma sugestão de agrupamento dos gêneros textuais levando em conta os pontos em comuns que eles apresentam, pois por serem heterogêneos, carregam características de um e de outro tipo, sem perder, no entanto, sua autenticidade e valor. Essa forma de juntá-los e distribui-los em um organizado cronograma facilita a compreensão do assunto. O mérito desse esquema deve-se aos especialistas: Joaquim Dolz & Bernard Schneuwly . Eles procuraram a forma mais didática para esquematizar o tema, facilitando assim a aprendizagem tanto para professores quanto para alunos. Já o longo texto no qual eles discorrem sobre o tema, deixa a desejar no que diz respeito a simplicidade na linguagem porque é um texto com um grande carga teórica e por isso, complexo. Apesar de longo e denso, deve ser lido e relido várias vezes porque uma leitura só é insuficiente para iniciantes. Aprender é preciso (parafraseando Pessoa...não é isso?).
 

Sequência textual

Reflexão da Semana 6
12/03/2012, 17:57:43


O tema “Sequência Textual” reaparece no tópico 3, mas dessa vez com mais profundidade visando uma melhor elucidação, pois nas discussões do fórum o assunto foi abordado de forma cautelosa pelos professores. Talvez o medo de errar tenha sido mais forte que a vontade de arriscar, o que é comum nas pessoas quando iniciam um assunto novo no qual ainda não dominam. É (quase) inaceitável essa insegurança, porque, praticamente, lidamos com tipos e gêneros textuais diariamente e temos a convicção de que dominamos o assunto. 

Pensar em sequência textual é apenas analisar um texto de um ângulo diferente, levando em conta todo o conhecimento adquirido com os estudos e a experiência dos anos anteriores. O que diferencia das demais análises é a possibilidade dos textos serem heterogêneos, como se fosse um quebra-cabeça cujas peças são diferentes e todas se encaixam formando um todo. Na sequência textual percebemos pela fragmentação os trechos narrativos, descritivos, argumentativos, injutivos, dialogais, etc. carregados de características que permitem determinada classificação, sendo que um predomina e os demais o completam. O que leva a crer que os textos dizem mais do que parecem expressar e para atingir um objetivo ele permite essa “salada” variada que dão o “sabor” necessário para um “paladar” apurado.

Gênero textual

27/02/2012, 18:55:16
Reflexão da semana 4


Não é de hoje que o tema gênero textual tem sido estudado com afinco, principalmente para professores de Língua Portuguesa. A princípio parece muito fácil distinguir tipo de gênero, mas convém conhecer melhor as características de cada um para poder diferenciá-los melhor e estar mais preparada para trabalhar o assunto com os alunos. Tipo e gênero textual são diferentes, mas se cruzam por meio do texto produzido. 

Uma divisão antiga afirmava que os tipos de textos se resumiam em: narração, descrição e argumentação. A partir de uma melhor observação e estudo sobre isso, percebeu-se que havia mais dois itens que se juntaria a esses três: exposição e injunção, totalizando cinco. Dessa forma pode-se perceber que os tipos textuais são poucos e cada um deles utiliza um determinado recurso lingüístico para sua composição. Por outro lado, os gêneros são tantos que fica difícil enumerá-los porque estão vinculados às atividades sociais e comunicação entre as pessoas, dependendo de um determinado contexto para serem produzidos. Apesar de possuírem conceitos diferentes, eles estão vinculados pois de cada tipo textual (praticamente) nascem os gêneros, seria como uma mãe com vários filhos, cada um com sua personalidade peculiar e idades diferentes (Embora essa seja uma forma simples, prática e hilária de compreender a teoria). Muitas leituras serão feitas para garantir a total distinção entre esses dois conceitos e, só assim, deixarão de ser incógnitos

A natureza multissemiótica dos textos orais e escritos

12/02/2012, 09:11:14
Reflexão semana 2


O tema do tópico desta semana aborda a natureza multissemiótica dos textos orais e escritos, esclarecendo, inicialmente, que eles não são produzidos a partir de um só tipo de linguagem, mas da mistura do verbal e do não –verbal. A voz, por exemplo, é acompanhada por gestos, expressões faciais, olhares, postura corporal e tom de voz, enfim, um conjunto de ações concomitantes para exprimir uma ideia. A escrita, entretanto, possui outras formas de recorrer aos recursos visuais como: tipo, tamanho e cor da letra selecionada, além de imagens ilustrativas e/ou que se movimentam (no caso de escritos no computador). Essa junção semiótica, de certa forma, cria uma tensão e disputa entre as linguagens, embora se relacionem e se completem para transmitir o sentido desejado da mensagem. 

Como exemplo disso, o texto apresenta alguns itens: inicialmente, uma reportagem de uma revista francesa (Le Monde) sobre o Brasil, cuja capa traz as cores que constam da bandeira brasileira (verde, amarelo, azul e branco) utilizadas nas palavras, imagens e fundo. A distribuição dos recursos visuais visa causar uma maior impressão sensorial no leitor junto ao conteúdo verbal que enfatiza o tamanho e a capacidade do nosso país. Depois, um poema concreto intitulado “Infinito”, no qual o visual predomina sobre o verbal ; e finalmente, uma comparação entre outras duas reportagens: "Por que não vivemos para sempre" ( por Thomas Kirkwood, publicado na Revista Scientific American - Brasil, outubro de 2010, p. 30-37.) e “ O Conto da Xenofobia”( publicada na Revista Carta Capital, de 29 de setembro de 2010). Cada reportagem é acompanhada por recursos multissemióticos que se diferenciam em alguns aspectos, pois uma pertence a uma revista impressa e a outra, digital. Tal distinção é comentada detalhadamente como: a autoria de cada texto; a interação entre o escrito e o leitor; o tamanho e a divisão dos trechos, assim como títulos e subtítulos; a legenda de ambos; a forma de mudar de páginas, o enquadramento dos textos nos espaços determinados, as imagens que os acompanham durante a leitura, etc. Enquanto "Por que não vivemos para sempre" corresponde ao jornalismo científico, “ O Conto da Xenofobia” pertence ao jornalismo político, embora ambos pertençam a um mesmo gênero textual. A atividade autocorrigível 1, no final do tópico, retoma o tema de forma bem concisa com as opções “falso” ou “verdadeiro” como resposta para os trechos afirmativos distribuídos nas quatro questões e garante uma reflexão sobre a importância dos signos no processo comunicativo.
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Aprendendo com os textos

27/11/2011, 11:44:45
Aprendendo com os textos


A idéia de que textos literários guardam um mistério cuja decifração pode ser bastante penosa foi abordada, com muita graça, no romance O guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams.” (Trecho da leitura sugerida). A referência é hilária, mas verdadeira, pois quando apresentamos um poema aos alunos, boa parte das reações, a princípio, são negativas. As justificativas vão desde “linguagem complicada” até (o absurdo de) “poesia não serve para nada”. Não se pode esperar mesmo que alguém com pouco embasamento de leitura possa se “apaixonar” por um poema. O poema “Trem de Ferro” de Manuel Bandeira (citado na leitura indicada Orna Messer Levin e Márcia Abreu), por exemplo, possui inúmeros recursos linguísticos, sonoros e visuais que se não forem mostrados e comentados de uma forma interessante, parecerá uma brincadeira com palavras à primeira leitura do aluno. A apreciação de um texto literário dependerá (quase sempre) da forma como será apresentado pelo professor, assim como sua compreensão dos elementos essenciais na poesia(métrica, ritmo e rima). 
O texto literário é uma representação de uma provável realidade (verossímil ou inverossímil), por isso, muitas vezes, o contato provoca-nos reações diversas: identificação, emoção, desperta o nosso senso crítico, etc. Enquanto o texto lido nos leva a visualizar a cena, os personagens, e espaço e o tempo, o texto dramático nos expõe tudo isso de uma só vez e provoca tanto o riso quanto as lágrimas. Além disso, o teatro possui uma função educativa: ele distrai ao mesmo tempo em que instrui. A leitura de textos tanto literários quanto não-literários são fundamentais para a formação de conceitos e amadurecimento intelectual de qualquer pessoa. 

Ser ou não ser literário: eis a questão!

14/11/2011, 09:07:02
Ser ou não ser literário: eis a questão!


A s definições didáticas encontradas nos livros ou na internet tentam estabelecer um perfil característico de cada movimento literário, elencando o maior número de dados possíveis como: biografia do autor, momento histórico, traços em comuns entre produções de determinadas épocas, estilo literário, linguagem, etc. Entretanto tais informações, muitas vezes, não se “encaixam” umas nas outras. Elas se divergem e assim torna-se falho esse critério de classificação e definição para um estudo adequado no ensino da literatura. Talvez a intenção tenha sido justamente ao contrário: desejavam simplificar o tema para facilitar um estudo, porém há detalhes como: temas, valores, expressão dos sentimentos, comuns em todas as épocas que podem invalidar as classificações padrões dos períodos literários. Os textos de poetas citados como: Sá de Miranda, alphonsus de Guimaraens, Carlos Drummond, Florbela Espanca, Cassiano Ricardo, que produziram suas obras em épocas tão diferentes, tinham as característica de um poema classificado como barroco, principalmente pela abordagem do tema. Tais poetas pertenceram a épocas literárias diferentes (Renascimento, Romantismo, Simbolismo, Modernismo)e a distância entre o primeiro e o último é de mais ou menos 500 anos. Se eles fossem analisados conforme seus traços marcantes, seriam apontados como poemas barrocos. Somente o último texto que “destoava” dos demais era realmente barroco (o texto do Gregório de Matos). 
O texto “O que é literatura e tem ela importância” Jonathan Culler apresenta uma reflexão acerca de textos literários e não literários. Mostra como é difícil classificá-los e separá-los já que ambos tem traços afins. Mais importante do que saber, com certeza, se o texto é literário ou não , é observar sua intenção, sua mensagem, suas possíveis interpretações e reflexões, seu estilo literário, sua “brincadeira com as palavras”. O ideal seria estudar a literatura e aprofundar-se nos gêneros, sem se prender a esse pequeno detalhe de “ser ou não ser literário”