O ano de dois mil e nove
É um marco em minha vida
Logo nos primeiros meses
Encarei uma partida.
Fiquei sem chão e deserta;
Realidade dura e certa:
Minha mãe foi recolhida.
Nas memórias afetivas
Resgato a felicidade
Nos almoços e conversas,
Presença sabor saudade,
Inesquecíveis lembranças,
Inevitáveis mudanças
Com prazo de validade.
Qualquer data era desculpa
Pra gente se reunir:
Casa cheia, mesa farta,
Receitas a discutir,
Risadas, ensinamentos,
Faziam desses momentos
Um bom exemplo a seguir.
Minha mãe fazia mágica
Ao preparar refeições:
O aroma tinha um sabor
Que temperava as porções,
O cheiro se propagava,
Pelas ruas avançava,
Provocando tentações.
Qualquer prato era iguaria
Feito com zelo e paixão,
Do simples feijão com arroz,
Cuscuz, sopa, macarrão,
Carne cozida ou assada,
Baião de dois, feijoada,
Mucunzá, farofa, pão...
Eu ficava observando,
Tentando compreender
Qual era o segredo dela?
Gostaria de aprender,
Para que eu pudesse um dia,
Com talento e ousadia,
Minha mãe surpreender.
Quando me vejo no espelho
Enxergo em mim, traços dela,
Nas feições, nas brincadeiras,
No caráter , na cautela,
Na alegria em cozinhar,
No prazer em ajudar,
Do total sou a parcela.
Eternidade é isso:
Consiste em sobreviver
Através dos descendentes
Que vão se desenvolver.
Uma soma original
Um ser único e plural
Para a história reescrever.
Zizi, 10/08/2026