segunda-feira, 10 de agosto de 2026

MEMÓRIAS & SABORES


O ano de dois mil e nove
É um marco em minha vida
Logo nos primeiros meses
Encarei uma partida.
Fiquei sem chão e deserta;
Realidade dura e certa:
Minha mãe foi recolhida.


Nas memórias afetivas 
Resgato a felicidade
Nos almoços e conversas,
Presença sabor saudade,
Inesquecíveis lembranças,
Inevitáveis mudanças 
Com prazo de validade.


Qualquer data era desculpa 
Pra gente se reunir:
Casa cheia, mesa farta,
Receitas a discutir,
Risadas,  ensinamentos,
Faziam desses momentos
Um bom exemplo a seguir.


Minha mãe fazia mágica 
Ao preparar refeições:
O aroma tinha um sabor
Que temperava as porções,
O cheiro se propagava,
Pelas ruas avançava,
Provocando tentações.


Qualquer prato era iguaria
Feito com zelo e paixão,
Do simples feijão com arroz,
Cuscuz, sopa, macarrão,
Carne cozida ou assada,
Baião de dois, feijoada,
Mucunzá, farofa, pão...


Eu ficava observando,
Tentando compreender
Qual era o segredo dela?
Gostaria de aprender,
Para que eu pudesse um dia, 
Com talento e ousadia,
Minha mãe surpreender.


Quando me vejo no espelho
Enxergo em mim, traços dela,
Nas feições, nas brincadeiras,
No caráter , na cautela,
Na alegria em cozinhar,
No prazer em ajudar, 
Do total sou a parcela.


Eternidade é isso:
Consiste em sobreviver
Através dos descendentes
Que vão se desenvolver.
Uma soma original
Um ser único e plural
Para a história reescrever.


Zizi, 10/08/2026