sábado, 8 de junho de 2013

O gênero notícia em sala de aula

Pode-se considerar a leitura e a produção de textos como práticas sociais mais trabalhadas no âmbito escolar  por estarem intrinsecamente relacionadas à aprendizagem da língua. Enquanto o aluno não possuir certo domínio da leitura e escrita, os demais conteúdos tornam-se secundários. Assim, quanto maior  o contato com a diversidade textual (tipos e gêneros), melhor preparo ele terá para compreender (também) o que está além das letras:  o objetivo, as intenções, o contexto de produção, o público alvo, a peculiaridade do autor, o discurso, a estrutura formal, os recursos semânticos, estilísticos e pragmáticos. Com todas as habilidades e competênciasafiadasquanto ao ler e escrever, um passivoledor” passa a crítico leitor.
 Desse modo, uma lista imensa de conteúdos à espera de serem assuntos da aula. A pertinência, porém,  é palavra-chave que guia um plano de aula e decide, entre tantos, por trabalhar um determinado gênero que permite uma melhor compreensão do uso da língua padrão, sobretudo em seu aspecto discursivo, textual e linguístico.
O gênero notícia, por exemplo, por pertencer a todas as esferas sociais e aparecer em diferentes mídias (rádio, televisão, internet e impresso), é um veículo de comunicação de fácil acesso e possui um vasto campo a ser explorado. Atividades diferenciadas podem ser aplicadas em sala de aula com os alunos, contemplando diversos aspectos como: sua estrutura formal (título, subtítulo, lead, corpo, legenda) no qual os alunos tomam conhecimento de como uma notícia é elaborada e as divisões formais que a constituem, podendo depois dessa aquisição de conhecimento, criarem eles mesmo suas próprias notícias numa elaboração de um jornal feito pelos alunos; linguagem(culta, objetiva, concisa, impessoal, pessoa, frases na ordem direta,). É importante eles estarem atentos à norma culta que deve constar nos textos jornalísticos que eles escreverão; aspectos gramaticais no título( verbos no presente, ausência de: artigos, advérbios e  adjetivos). Essa atenção especial às palavras que aparecem no título é de extrema importância para chamar a atenção sobre os fatos e isso os alunos deverão estar bem atentos quando forem montar o próprio jornal;  veracidade nas informações (nomes, endereços, imagens), outro ponto extremamente importante que não pode passar despercebido, afinal uma das principais características de uma notícia é justamente o relato objetivo e verdadeiro de um fato ocorrido; discurso (ideológico, político, etc), seleção proposital de palavras que emitem juízos de valor(adjetivos, substantivos, verbos). Os alunos tendo todas essas noções, conseguirão ler “nas entrelinhas” e tornar-se-ão leitores mais críticos.
Apesar de todos esses itens mencionados se aplicarem, especialmente, à notícia impressa, é possível uma análise detalhada também nas demais modalidades, pois todas carregam sua peculiaridade, como tão bem descreveu Silmara  em seu  texto “A Notícia em diferentes mídias, numa leitura simples, objetiva que propicia um entendimento melhor sobre a atuação e caracterização de cada tipo de mídia.
 No rádio, por exemplo, a notícia é transmitida pela voz  em tempo real, o texto segue a norma padrão e é conciso e objetivo. Na exposição verbal dos fatos, podem ocorrer alterações no tom de voz de quem lê, quando  pretende enfatizar algum ponto, ou ainda fazer algum comentário. Prevalece nesse caso a linguagem verbal.
Por outro lado, a notícia através da televisão conta com mais recursos: verbal e visual, sonoro, além de outros e isso atrai os telespectadores. Os apresentadores não se limitam a apenas informar os fatos, eles os interpretam com o intuito de influenciar quem assiste.
A notícia através da  internet é instantânea e  conta, além da linguagem escrita e a visual, com hipertextos e links que direcionam a outras informações.
Outro trabalho que desenvolve o senso crítico e também pode ser realizado com os alunos levando em conta as diferentes mídias é o da comparação. Por exemplo: pedir a eles que assistam jornais (orais e escritos) e tracem perfis comparativos apontando vários aspectos: o discurso empregado, as ênfases dadas às notícias, os recursos utilizados para chamar a atenção do leitor/espectador, o nível de objetividade e de subjetividade mostrado em cada uma pelo apresentador/jornalista, a quantidade de imagens e entrevistas referentes ao fato, dentre outros. 
Em suma, o aluno vai perceber mais claramente que uma mesma notícia pode adquirir estruturas e perfis diferenciados de acordo com a mídia a qual ela foi expressa, pois cada meio de comunicação possui um autor específico, um objetivo, um público alvo, um contexto determinante que serão levados em conta  na elaboração do discurso  através do texto. Segundo  afirmou Orlandi:
os gêneros de discurso são práticas discursivas sobredeterminadas, ou seja, é no acontecimento da enunciação que as regularidades historicamente sedimentadas e as rupturas e transformações possíveis se configuram, na produção do texto, de um modo específico em relação a suas condições de produção.

É fundamental que o aluno não só conheça como tenha um contato mais direto com o assunto “notícia”  e isso é possível a partir das atividades desenvolvidas com eles e por eles. Só assim, saberá utilizar adequadamente os tipos e gêneros textuais, conhecerá o processo discursivo que os acompanha assim como a sua circulação nos meios sociais. Tal conhecimento não deve ficar limitado a uma mera classificação estável; pois os gêneros são dinâmicos, heterogêneos e extremamente inquietos, como seres em constante evolução que contam com uma  nossa cumplicidade e companhia para continuarem se reproduzindo.




Referências bibliográficas

ORLANDI, E. P. Sobre Tipologia de Discurso. A linguagem e seu funcionamento. As formas de discurso. Campinas: Pontes, 1987, P. 217-238.

SILVA, Silmara Dela. A Notícia em diferentes mídias. Disponível em:  http://ggte.unicamp.br/redefor3/cursos/diretorio/apoio_503_45//A%20NOTICIA-SILMARA%20%281%29.pdf?1332801939. Acesso em 26/03/2012


LP004. Gêneros Discursivos. Tema 3. Tópico 2: Funcionamento dos gêneros: marcas e propriedades. Campinas, SP: UNICAMP/REDEFOR, 2012. P. 01/17. Material digital para AVA do Curso de Especialização em Língua Portuguesa REDEFOR/UNICAMP. acesso em 07/04/2012.


Acesso em 26/03/2012
A Linguagem da arte popular e da erudita

Conceituar a Arte não é tarefa fácil porque depende do ângulo em que se observa. De maneira geral as definições podem ser objetivas ou subjetivas;   saber qual delas requer mais credibilidade  é muito relativo e pouco importante.  O fundamental é reconhecer na arte  sua participação efetiva na vida do ser humano desde os tempos mais remotos, sua trajetória no atravessar dos séculos e as implicações atuais, portanto a arte é o instrumento pelo qual o ser humano manifesta suas diversas expressões, tais como:    visuais (pintura, escultura, desenho, artesanato,fotografia); movimento (dança);  som (música, ritmos);  cênicas (expressões faciais e gestos);  literária (poesia ou prosa).
Há, inclusive, outra classificação que divide a arte em dois níveis: popular e erudito. O primeiro representa a cultura do povo que abrange a maioria da população e de fácil acesso,  pois não necessita de  um espaço determinado para acontecer, sua criação está relacionada com a simplicidade e espontaneidade das pessoas dotadas de uma determinada sensibilidade artística;   a outra pertence a uma minoria da população  e é, por isso mais seletiva e exigente, está mais presente nas entidades escolares, sobretudo, nos meios acadêmicos. O acesso a ela  é restrito, goza de mais respeito perante os intelectuais e está presente nas classes sociais mais privilegiadas, logo, dominadoras.
São como irmãs criadas em lares diferentes: não frequentam os mesmos ambientes, tem pouco contato uma com a outra, são estranhas, adversas, embora ligadas por um objetivo em comum:  ambas representam,a seu modo, o patrimônio cultural  de uma população.
Para alguns, essa divisão social não incomoda porque traz, de certa forma, uma   confortável estaticidade social:  de um lado os selecionados; do outro,  o restante. Mas isso não é regra geral para os integrantes do primeiro grupo. Do meio deles surge alguém com outros planos visando uma “quebra” da ordem dos fatos e coloca em ação seus ideais de transformação de uma parcela da sociedade, até então, discriminada. Seu nome: Ivaldo Bertazzo, um coreógrafo e dançarino paulista que tem feito a diferença na vida de muitos jovens da periferia de São Paulo.
Ivaldo Bertozzo ,  um profissional de reconhecimento nacional e  internacional,  com muita experiência  em dança e coreografia,  viajou muito pelo mundo exibindo seu trabalho e talento, conheceu a cultura de vários países e,  com toda essa  bagagem de conhecimento, decidiu  elaborar  um projeto diferenciado trazendo à população mais carente um complemento à sua formação intelectual. Através de uma seleção de jovens inscritos gratuitamente, ele empenhou-se em resgatar-lhes  a identidade, o protagonismo e a cidadania dos jovens, além de despertar a sensibilidade artística deles  e facilitar-lhes o acesso aos bens culturais mais valorizados pela sociedade. 
Para isso foi preciso desenvolver um trabalho interdisciplinar incluindo as disciplinas escolares:  Educação Física, Arte e Línguas. Ele lidera esse trabalho grandioso, mas não está sozinho nisso, há vários profissionais que o apoiam e atuam junto no desenvolver do projeto  que requer tempo, determinação, e também investimento financeiro. Além das aulas de dança, os alunos aprendem mais sobre o seu corpo e sua língua com especialistas de cada conteúdo e também viajam para as apresentações de palco dentro e fora do Brasil.   
Uma pequena amostra desse nobre trabalho encontra-se em alguns vídeos no site do Youtube:  entre eles, uma  reportagem que foi exibida em um programa da Rede Globo, no qual  é abordado a importância desse projeto, como surgiu e se desenvolveu entre o coreógrafo e o grupo de jovens da periferia de São Paulo.  Outros vídeos trazem trechos de algumas  apresentações das danças que eles participam.
É interessante observar a mistura de culturas dos países nessas apresentações, tanto nas coreografias,  nas vestimentas dos dançarinos  e  nos instrumentos que acompanham  os ritmos. Algumas coreografias não são  totalmente criadas por Ivaldo, ele, muitas vezes  contribui com a parte sonora e com o conjunto de dançarinos.  Suas parcerias provêm de outros países também e sendo assim há uma prioridade cultural que predomina no decorrer do espetáculo, ou seja, há um suposto sincronismo cultural altamente perceptível nas roupas dos dançarinos, nos ritmos emitidos pelos instrumentos, nos passos.
Entretanto uma “voz” silenciosa,  mas firme nos gestos mantém  o controle e  lidera a coreografia, não se “rendendo” às insistências adversárias que carregam características típicas de outros espaços culturais. A cultura priorizada que se reafirma, portanto é a erudita protagonizada  pela dançarina hindu Sawani Mudgal. Em uma das cenas expostas, ela, junto a um dançarino brasileiro, simulam uma dupla de porta-bandeira que bailam  ao som de uma moderada batucada.   Se o objetivo fosse mostrar um comportamento tipicamente brasileiro ela  sambaria ao ritmo, mas não, ela acompanha o ritmo com movimentos típicos das danças indianas.  Outras performances são mostradas, mas fica evidente em todas elas o predomínio da cultura estrangeira sobre a brasileira e suas origens (indígena e africana), pois até mesmo os bailarinos  brasileiros aderem aos passos hindus em alguns momentos. 
Nesse sentido fica evidente o papel  do autor e sua função discursiva (embora silenciosa) na elaboração da referida coreografia. A intenção inicial de Ivaldo Bertozzo pode (até) ser diminuir a distância entre a cultura popular dos jovens da periferia e a erudita dos grandes centros urbanos,  mas percebe-se que nos meios de sua produção outros valores entram em cena e assumem um papel principal, restando ao leitor somente uma opção:  a  apreciação do resultado final de  um trabalho coletivo  e  integrado a culturas múltiplas.


Referências bibliográficas
LP004: Autoria, Efeito-Leitor e Gêneros de discurso. Tema 2: Função-Autor e Efeito-Leitor. Campinas, SP: UNICAMP/REDEFOR, 2012. P. 01/08. Material digital para AVA do Curso de Especialização em Língua Portuguesa REDEFOR/UNICAMP.       Acesso em 08/04/2012.

DOS SANTOS, Bianca Caroline - Arte como processo cultural: por uma ampliação do humano . Disponível em: http://www.compoliticas.org/redes/pdf/redes5/24.pdf
Acesso em 08/04/2012

BERTAZZO,  Ivaldo - A aventura do homem em busca do movimento

Disponível em:  http://ivaldobertazzo.com/sobre/          Acesso em 08/04/2012

Links indicados:
1.                Link para o reportagem do Globo Repórter: http://www.youtube.com/watch?v=JZC_yi932Ls, acesso em 08/04/2012.

2.                Link para as cenas analisadas: http://www.youtube.com/watch?v=fKq8mDwBnlc, acesso em 08/04/2012.


3.                Link para o choro de Jacob do Bandolim (“Santa Morena”) como ele é: http://www.youtube.com/watch?v=mvI4WpRBvc4, acesso em 08/04/2012.
A espetacularização midiática de cada dia

 Este texto pretende discorrer e refletir sobre a relação intrínseca entre a linguagem, a cultura e  a mídia, e de que forma elas se inserem nessa realidade digital e tecnológica caracterizada pelo  século 21, período também marcado pela globalização.
Os recursos tecnológicos adentraram os mais diversos espaços (casas, escolas, hospitais,  estabelecimentos comerciais e culturais, locais de lazer, etc.),  com uma proposta sedutora de facilitar a vida das pessoas e conquistaram, desse modo,  a confiança delas.
Até pouco tempo, cerca de 20 anos, a vida não era difícil sem os apetrechos modernos que hoje preenchem as prateleiras das lojas e os armários e as estantes das casas. Para muitos que nasceram nesse contexto, essa revolução tecnológica não os assustam, mas há outros que precisaram passar por um processo de adaptação.  Para esses, o “ajuste” é contínuo, visto que a cada dia novos termos são criados e,  junto com eles, as  possibilidades de construção de sentido se multiplicam.
Os gêneros textuais são um bom exemplo disso, pois eles representam toda e qualquer manifestação comunicativa. Segundo Braga; Buzato,2001,

                    Gêneros digitais são ferramentas semióticas e cognitivas que permitem às pessoas transformarem-se em sujeitos da/na cultura digital, capazes de utilizar sua linguagem produtivamente, para preservar ou modificar o mundo à sua volta. 

Se antes havia somente os gêneros orais e escritos; hoje, uma nova categoria está presente e ocupa um lugar significativo no espaço virtual: a digital, fundamental para a atuação dos blogs, sites, fóruns, ambientes virtuais de aprendizagem(AVA),Chat, Glossário, quiz, etc.  Dialogando com a maioria dos gêneros  digitais está a hipermídia,

 (ou multimídia interativa) [...] é o conjunto de meios que permite acesso simultâneo a textos, imagens e sons de modo interativo e não-linear, possibilitando fazer links entre elementos de mídia, controlar a própria navegação e, até, extrair textos, imagens e sons cuja sequência constituirá uma versão pessoal desenvolvida pelo usuário. (GOSCIOLA, 2003, p. 34)
termo adequado e preciso que surgiu concomitante  à era digital,  representada pelos  games, simuladores, os ambientes virtuais interativos, as multimídias interativas, os websites, mídias com filmes em DVD, dentre outros.   
Existe, outrossim,  a hipermodalidade que consiste em explorar bem os recursos visuais, sonoros, até mesmo o olfativo, palatal, tátill,  na criação e edição de vídeos que articulam bem o verbal e o não verbal.
Os vídeos de  Chico Science e Nação Zumbi Mangue Beat,   ilustram bem essa afirmação, sobretudo quanto ao aspecto visual e sonoro que produzem,  pois exibem um tipo de sincretismo cultural envolvendo:  dança, ritmo, música e vários  instrumentos musicais de origens diversas.  
Da soma de todo esse conjunto formou-se  uma nova tendência cultural  conhecida por “Manguebeat (também grafado como manguebit ou mangue beat) é um movimento musical que surgiu no Brasil na década de 90 em Recife que mistura ritmos regionais, como o maracatu, com rock, hip hop[1], funk e música eletrônica”. O ritmo alegre e bem dinâmico das letras e da música atrai  os jovens e o número de admiradores tanto do Brasil quanto do exterior tem aumentado.
Não há como negar a conveniente participação da mídia na divulgação das manifestações culturais populares. De um lado,  ajuda a preservar tais elementos e difundi-los em outros contextos geográficos, mas, por trás há um motivação maior, alimentada  pelo interesse financeiro em trazer para cá investidores e mais turistas.
A mídia consegue, inclusive,  manipular os pensamentos, as atitudes, os valores com imposições sutis recebidas passivamente pelas pessoas como verdades absolutas. Ela patrocina e transforma em espetáculo qualquer cena (das patéticas, bizarras, às emocionantes e belas) , desde que a favoreça. Segundo Trigueiro(2005), é a “espetacularização  das culturas populares ou produtos folkmidiáticos”.  Ele observa também que
Em outra perspectiva da folkcomunicação tenho  pesquisado  sistematicamente  os  processos  de  apropriação    e incorporação    das manifestações  culturais  populares  pela mídia  e,  em   movimento     inverso,   como   os protagonistas das culturas populares se apropriam  das  novas  tecnologias  para  reinventarem   os  seus  produtos   culturais.    Essas aproximações, das culturas populares e midiáticas no mundo globalizado são cada vez mais  intensas.

Devemos à globalização o livre acesso das pessoas às informações, sejam  de ordem econômica, social, cultural, política, através da Internet. Entretanto,   impossível captar todas elas. Segundo o filósofo francês Pierre Lévy, há um “dilúvio de informações”  e cabe às pessoas fazerem uma seleção do que realmente precisam ou interessam.
Em vista disso, há como aproveitar melhor essa “avalanche de dados e conhecimentos”, afinal, aprender a ser seletivo é uma necessidade do momento, ainda mais para profissionais da educação que vivem em busca de algo novo que “incremente” as aulas e traga bons resultados.
Um projeto interdisciplinar seria uma forma perfeita de apresentar o “Manguebeat” aos alunos, principalmente os de Ensino Médio. Como é novidade (para eles), certamente, despertaria sua atenção e participação nas atividades orais e escritas que viriam a seguir no desenvolvimento do projeto na escola.
Depois de assistirem aos  vídeos com algumas apresentações de “Manguebeat”, seria feito uma exposição oral para contextualizar os alunos. Em seguida,  cada disciplina trabalharia o tema dentro da sua área;  por exemplo: Arte exploraria o ritmo, a dança, os instrumentos; História  o contexto histórico de cada ritmo envolvido, festas;  Geografia focaria a expansão urbana dos respectivos ritmos;  Língua Portuguesa: as produções dos poemas musicados, sua estrutura,interpretação dos textos, significado do título do movimento, a linguagem dessas produções;  Educação Física: os movimentos que compõem as danças, etc. Esses trabalhos seriam expostos em um painel no pátio e também no blog da escola , utilizando, para isso,  os recursos disponíveis através da hipermodalidade e da hipermídia , explorando os gêneros digitais aqui mencionados.
Em suma, há infinitas possibilidades de agrupar e abordar em trabalhos escolares: tecnologia, internet, mídia e educação, de forma criativa e crítica,   garantindo, assim, um crescimento intelectual dos envolvidos (professores e alunos), com resgate de valores culturais desprovidos daqueles estereótipos que  reduzem o ser a uma mera coisificação.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

TRIGUEIRO, Osvaldo Meira.   A espetacularização das culturas populares ou produtos culturais folkmidiáticos.  Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/pag/trigueiro-osvaldo-espetacularizacao-culturas-populares.pdf   Acesso 24/09/2012


BRAGA, D. & BUZATTO, M. Multiletramentos, Linguagens e Mídias - Tópico 2 – Interatividade, hipertextualidade e multimodalidade, do TEMA 2 – A linguagem nos/dos novos meios - Campinas, SP: UNICAMP/REDEFOR, 2012. P. 01/08. Material digital para AVA do Curso de Especialização em Língua Portuguesa REDEFOR/UNICAMP. Acesso em 24/09/12.

Vídeo Chico Science e Nação Zumbi Mangue Beat -  Disponível em:

A intertextualidade nos gêneros textuais

O presente texto expõe, de forma concisa, um projeto destinado, sobretudo, a alunos do 3º ano do Ensino Médio que, em seu desenvolvimento, retoma conhecimentos adquiridos no decorrer dos anos escolares e evidencia os gêneros textuais a partir das sugestões de atividades orais e escritas,  tendo como base um pequeno conto de Monteiro Lobato.
Considerando as afirmações de Roxane Rojo (2004) que  “A  escolarização,  no caso da  sociedade  brasileira,  não  leva à formação de leitores  e  produtores  de  textos  proficientes  e  eficazes” e isso acontece porque as “práticas didáticas de leitura no letramento” não desenvolvem todas as habilidades e competências necessárias para uma autonomia de cidadão, uma vez que se preocupam mais com análises (linguísticas e gramaticais) e interpretação dos textos.  Tais declarações levam à reflexão e a um repensar nos métodos pedagógicos relacionados à aprendizagem dos alunos; afinal, ter cumprido as etapas de ensino (Fundamental e Médio), não garantem um verdadeiro letramento, pois  segundo Rojo (2004):
“... ser letrado e ler na vida e na cidadania é muito mais que isso: é escapar da literalidade  dos  textos  e  interpretá-los,  colocando-os  em  relação  com  outros  textos  e discursos, de maneira situada na realidade social; é discutir com os textos, replicando e avaliando posições e  ideologias que constituem seus sentidos; é, enfim, trazer o texto para a vida e colocá-lo em relação com ela. Mais que isso, as práticas de leitura na vida são   muito    variadas    e  dependentes      de   contexto,    cada    um    deles   exigindo    certas capacidades leitoras e não outras.”

Isso leva a crer que a leitura de um texto torna-se mais interessante quando permite uma intervenção ou recriação do leitor; não é objetivo de um texto ter um fim em si mesmo. “...os enunciados de uma esfera discursiva repercutem-se, podendo dialogar, inclusive, com  os   de   outras   esferas” afirmou Álvaro Caretta (2008). Tal afirmação respalda uma ideia de como explorar a intertextualidade nos gêneros a partir de um pequeno conto.
É sabido que somente ler, analisar e interpretar um texto já não atrai muito a atenção dos alunos que gostam de novidades. Uma boa forma de prepará-los para a vida é  justamente criar situações desafiadoras que envolvam contextos diferenciados ligados às mais diversas esferas de atuação sociocomunicativa como: cotidiana, escolar, literária, Jornalística, publicitária, artística e tecnológica;  ao invés de se limitar à apenas um desses domínios.
O ponto de partida, então,  é a apresentação do conto de Monteiro Lobato denominado: “Pé no Chão”. Após a leitura e comentários pertinentes sobre interpretação, linguagem e vocabulário, as trinta e três propostas de atividades(descritas detalhadamente na tabela), que contemplam diversos gêneros textuais , algumas individuais e outras em duplas,  são distribuídas aos alunos e, estas,  depois de prontas deverão ser expostas para toda a turma.
Dessa forma, o trabalho com gêneros textuais permite uma simulação da realidade através da proposta de intertextualidade contidas nas atividades sugeridas e, além disso,  são as  ferramentas de ensino que reduzem  a distância entre teoria e prática, indispensáveis  portanto,  no processo de aprendizagem escolar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRAGA, D. & BUZATTO, M: Textos em Contexto: Jornalismo, Publicidade, Trabalho, Literatura e Artes/Mídias – tópico 2 - Revisitando os conceitos de esfera de comunicação e de gêneros textuais/discursivos - Campinas, SP: UNICAMP/REDEFOR, 2012. P. 01/09. Material digital para AVA do Curso de Especialização em Língua Portuguesa REDEFOR/UNICAMP.                            Acesso em 25/07/12.


ROJO,  R.  H.  R.(2004) Letramento e capacidades de leitura para a cidadania. Disponível em:
Acesso em 25/07/2012


CARETTA, A .A (2008) As formas da canção nas diversas esferas discursivas. Disponível em:
Acesso em 25/07/2012

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Tema: A foto mais recente dele(a)



“Cada mergulho é um flash”

É o que eles dizem quando fogem de mim ao me verem munida de uma câmera fotográfica, porque eu não dou sossego mesmo! Até o pequeno Gabriel já andou sem paciência porque a corujona aqui enxerga beleza em tudo o que os filhotes fazem e não quer perder nada. Teimosamente, por trás de uma máquina, ali estou eu  no registro até de cenas banais em que eles nem  supõem que estão sendo observados.

Na verdade, o que esses rebentos não compreendem é o  meu fascínio por essas lentes que, além de captar  imagens  de momentos únicos, permite-me vivenciá-los todas as vezes desejadas. É dessa forma que traço minhas “viagens” sem sair do lugar: cada pasta ou álbum é um porto e/ou aeroporto que me permite embarcar nessa turnê de lembranças e experiências únicas. 

Graças à tecnologia, hoje podemos contar com máquinas digitais que facilitam e muito tais aventuras. Mesmo assim, não tirarei o mérito das máquinas analógicas, minhas companheiras e parceiras que coloriram com seus “cliques” tantos álbuns dos meus ex-pequeninos. 

E se eu dependesse apenas da memória para lembrar-me de quando eram bebês ou  adolescentes? Logicamente não iria dar tanto vexame, visto que boa parte dos acontecimentos ainda desfila diante dos meus olhos internos, mexe com minhas emoções e não  permite  que eu esqueça que a vida  é magia .

Há, entretanto, fendas não registradas por essas obedientes e antenadas lentes: o silêncio, o vazio,  a procura, o cheiro, a saudade e outros implementos dolorosos gerados pela saída de cada um deles. Um desses “vôos” permaneceu cinco anos fora do ninho; agora, para minha alegria, retornou e trouxe na sua bagagem um conhecimento fruto de seus esforços e um caldeirão de planos futuros; o outro fez o contrário: permaneceu no aconchego materno enquanto se nutria de estudos e trabalho e, um belo dia, decidiu que estava preparado para cuidar do próprio ninho e foi.  

A receita para lidar com a ordem natural dos fatos é tentar manter em equilíbrio a razão e a emoção, pois nossos filhos são um bem que geramos e criamos para o mundo, não sendo, portanto, propriedade nossa.

 Enquanto acompanhamos o desenvolver desse itinerário, não custa nada uma pose aqui, um “clic” aqui, outro acolá... e assim vamos tecendo, com lindas figurinhas, a nossa história cheia de sorrisos, abraços, olhares expressivos, surpresas, sustos, furos, expressões faciais diversas, biquinhos, beijocas e até chifrinhos (com os dedos), pois há sempre um pestinha por perto... 

                                                                                             Zizi, 18/02/2012

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Super-ação-pueril


Danilo, meu ex-pequeno e agora grande-homem, protagonizou (quase) todos os posts que mencionavam travessuras infantis. Mal cabem na minha memória suas peraltices desde a época de criança, adolescência e (por que não?) fase adulta que, com orgulho e emoção, eu descrevo e, de certa forma, revivo as incríveis peripécias  desse “anti-herói”. 

Quando pequenino, eu estava sempre por perto, de olhos bem atentos para qualquer eventualidade, pois o “indomável” adorava o elemento surpresa e dava o que fazer aos seus atentos guardiões: mãe, pai, avô, avó, tia etc... 

 Por isso, vinte anos depois, quando encarou a paternidade de forma tão madura, foi a prova maior de que um novo ciclo se iniciara. Ele passara de protagonista a narrador e traçava, então, os primeiros rabiscos da sua novo enredo o qual a palavra responsabilidade ganhava mais peso e sabor. 

Um novo contexto à vista, sujeito a outras aventuras que eu nem havia imaginado ainda, me aguardavam pacientemente. Enquanto eu contemplava e curtia aquele lindo rebento com várias  dobrinhas e cabelinho meio loiro encaracolado, dialogava com meu pensamento: “Será que o novíssimo fruto um dia vai superar o pai nas traquinagens ?  Se filho de peixe... “

O relógio, na sua incansável melodia do tic-tac,  marcava o alvorecer ao por-do-sol, virando, ano a ano, páginas do calendário, permitindo-nos a alegria em acompanhar o crescer e o desenvolver do pequeno já bem esperto Gabriel. 

Mesmo danadinho, uma criança encantadoramente dócil com as pessoas e os animais. Tão novo já queria compreender fatos e colaborar no desenrolar deles. Iniciativa e determinação ele tinha e tem para usar e abusar;  afinal de contas,  vô e vó são pai e mãe adoçados com mel,  e minha casa,  seu favo à disposição. 

Uma noite, porém, acordei porque senti que a coberta estava úmida em alguns locais. Estranhei aquilo. Não conseguia dormir, havia algo espalhado pela cama que me incomodava. Decidi acender a luz para verificar melhor e quase infartei:  A cama estava cheia de ovos de galinha, alguns quebrados embaixo de mim, outros rolavam de um canto para outro quando eu me movia.
Minha primeira reação foi pânico total. O que poderia ser aquilo? O susto não conseguiu conter o grito. Quando olho para o lado, lá está ele. Questionei o porquê daquela bizarra cena,  precisava URGENTE de uma justificativa. Olhando-me decepcionado, ele disse que colocara os ovos embaixo de mim para que fossem chocados porque queria que nascessem pintinhos, igual à cena do filme a que assistira durante o dia. 

Tinha razão: havíamos assistido “Voando para Casa”, que conta a história de uma garota que salvou um ninho abandonado cheio de ovos de ganso, improvisou um cantinho para que  eles nascessem em segurança, depois tomou conta deles até ficarem adultos e ainda os ensinou a voar de volta para o sul. Gabriell ficara tão  impressionado com o filme que decidira fazer essa “experiência maravilhosa” usando-me como cobaia sem nenhum aviso prévio.

 

Aqueles olhinhos inocentes e assustados junto àquelas palavras mal pronunciadas e cheias de boas intenções foram suficientes para me desarmar. Que egoísta sou eu, meu Deus!, A minha criança (filho com mel) estava preocupada com a extinção das aves e deu, a seu modo, uma pequena contribuição para a preservação daquela espécie. Que lindo amor pelos bichinhos! Tentou, apenas, protegê-los do bicho-homem que só tem olhos para si mesmo.

                                 
                                                                        Zizi/02/2012