sábado, 15 de outubro de 2011






ROTINA



TRIMMMMM!!
Bocejo...
Cobertas ao chão
Chinelos
Água, sabão
Escova, pente , toalha,
Perfume, roupas
Café
Hummmmmmmm!!!

Cigarro
Carro
Trânsito
Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!!!

Escritório,
Seguros,
Telefone,
Reuniões
Blá, blá, blá, blá, blá, blá. Blá...

Internet,
Almoço,
Risadas,
Cigarro,
Heheheheheheheheh!!

Passeio,
Mar, vento,
Piscadas,
Risos,
Afagos,
Sussurros,
Dois em um,
ÊXTASE!!
Ahhhhhhhhhhhhhh!!!!!

Trabalho,
Clientes,
Cigarro,
Telefone,
Ufaaaaaaaaaaaaa!!!

Chats,
Músicas,
Privados e mais privados,
Amizades,
Amores,
Ilusão/desilusão
Tic-tac, tic-tac, tic-tac
Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz!!!

                                                                           (Zizi, 2003)

Tema: Momento mágico



Proteção materna é magia  
Uma gaveta toda revirada. É assim que me senti quando mergulhei, de uma só vez,  meus dedos , olhos e pensamentos nessa linha do tempo, em busca de encontrar  uma  cena e classificá-la como o  momento mágico  mais peculiar do meu contexto materno. 

Sem uma resposta de imediato esperada, o que eu provoquei foi uma avalanche delas.. Que difícil! Entretanto, a seleção é  fundamental, tem que ser definida...mas qual  critério seguir ?   Pela magia? Admiração? Encanto? Fascínio? Ilusionismo? Sobrenatural?  Qual quadro devo pendurar desta vez que retrate com totalidade algo especial,  ou quem sabe, transcendental? 

O momento do nascimento é mágico; a amamentação é mágica; o embalar é mágico; o crescer e o desenvolver  de um filho é mágico; as primeiras palavras são mágicas; os primeiros passos são mágicos; o carinho  e vínculo entre mãe e filho é mágico; o dia-a-dia de mãe e filho, com todos os atropelos, alegrias e surpresas é mágico...

Passar pela maternidade é receber uma graça e compartilhar com Deus uma parcela do Seu amor. Desenvolve-se, a partir daí,  um novo sentido (Quem sabe o sexto, sétimo ou oitavo deles) para tornar-se mais apta,  capaz de zelar, com todas as letras do pequeno e indefeso ser que foi entregue com permissão divina. Proteção: uma palavra-chave que atiça os instintos maternais a tal ponto,  que,  “estar de plantão”, para uma mãe, não é nada difícil, pois isso acontece até inconscientemente.  Bem... vamos aos fatos:

Uma vez, eu deixei minha pequena, de poucos meses,  alguns minutos  sozinha no quarto e fui atender o portão. Enquanto eu dispensava a tal pessoa,  comecei a me sentir estranha, com falta de ar e um incômodo inexplicável. Parecia que estava “fora de órbita” e só conseguia pensar  na minha filha .  Tratei de entrar correndo e quando cheguei no quarto a encontrei passando mal, sem conseguir respirar. Rapidamente a socorri e consegui  acalmá-la. Só de imaginar o que poderia ter acontecido a ela se eu não tivesse seguido à minha intuição, me faz ficar arrepiada. Graças a  Deus minha conexão com ela estava 100%. 

Alguns anos depois, a caminho do trabalho, senti que o meu filho (de mais ou menos doze anos naquela época) corria perigo, não sabia por qual motivo, mas ele precisaria de mim. Nem hesitei. Desci do ônibus e me dirigi à escola onde ele estudava. Confirmei minhas suspeitas: um colega seu tinha reunido uma turma para dar uma surra nele. Estavam distribuídos em lugares estratégicos,  em frente à escola esperando-o para o “massacre”.  Meu filho nem sabia dessa armadilha. Eu me dirigi a eles, tive uma conversa looonnnga e muuuuiiiiiito difícil, mas consegui fazê-los mudar de idéia. Novamente agradeci a Deus pelo “toque” e por me ajudar a resolver tal questão. Depois do ocorrido, lógico: vem as lágrimas de emoção e de agradecimento.. 

Esses dois episódios extremamente significativos, para mim, estão diretamente ligados por um elo:  “o  toque”,  que nomeio e eternizo aqui  como  o momento mágico.  Como é  forte o sentimento de proteção de uma mãe,  um tipo de preservação   da espécie que não tem preço! é um vínculo sublime que  ultrapassa à explicação da lógica e o formalismo da ciência!
                                                                                                                           Zizi, 15/10/2011

sábado, 1 de outubro de 2011

Tema: Saída da maternidade

                                      De volta para casa
 
É acionado o alarme biológico; não há como recuar, mesmo porque desejamos logo concluir esse ciclo e dar as boas-vindas ao novo ser. Foram nove meses de expectativa, preparo do enxoval, idas e vindas ao médico, gradativo aumento de peso, etc, etc. Depois, a chegada ao hospital e finalmente: o parto.
A mesma ansiedade que me trouxe, agora exige o retorno ao lar. Chega de ficar presa no quarto!  Sinto-me uma refém. Não posso fugir sozinha. Que vontade de invadir o berçário e pegar o que me pertence!  Todavia sou obrigada a aguardar as orientações médicas e a  tão sonhada palavra “alta”. Saudade tem cheiro de fome e eu preciso me alimentar!
Por duas vezes estive nessa situação, mesmo que tivesse sido mais, não me acostumo a ficar em hospital. Sou inquieta demais, sinto-me presa cercada em quatro paredes. Apetece-me  cuidar das minhas coisas, testar as minhas competências e habilidades maternais na minha casinha, meu santuário!
"Não há lugar melhor do que a nossa casa!" Uma verdade, para mim, incontestável! Só lá nós somos livres e donas do pedaço! Só lá nós mandamos e desmandamos! Só lá nós temos o trono e somos a rainha.E é lá que formamos, criamos e preservamos a família” (Quando li o post da Dani achei lindo o título e  fiz um comentário, não resisti e trouxe-o para cá, por isso as aspas).
Aquele ensaio todo durante a infância, as simulações com minhas bonecas, tudo isso deveria servir para alguma coisa, afinal brinquei até os doze anos. Durante a adolescência, eu cuidei dos filhos de um tio.  Será que isso bastava? Não estava zerada (que alívio!), mas tinha um grande caminho a percorrer,  mesmo  porque  aprender no dia-a-dia como ser mãe é uma experiência enriquecedora, contínua e única.
Lembro-me que minha mãe teve suas filhas em casa. Quando chegava a hora, meu pai nos levava à casa de uns parentes e quando retornávamos,  a surpresa: mais uma criança nascera! Tudo aquilo me deixava confusa, não entendia o processo, mas ficava feliz por ter  ganhado mais uma irmã.  Passados os anos, já casada, a história se repetia  com duas diferenças significativas: a protagonista era eu e o local não era a minha casa, e sim um hospital.
Mas venci a ansiedade (não tinha escolha), aguardei todos os procedimentos, acompanhei a contagem regressiva. Fui recepcionada pelo maridão que me recebeu com flores da primeira vez. Na segunda, ele não trouxe  flor, mas o fruto:  meu filho. Quando este me viu, veio correndo me encontrar. Estava curioso para conhecer a irmãzinha. Eu, cansada, com dores, sorri feliz: “como é bom estar de volta à minha casa!”  

                                                                                                Zizi, 01/10/11

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Tema: Amamentação

 Eu disse: SIM!

Antes, o pequeno ser habitava no meu interior e lá mesmo se desenvolvia e era  alimentado. Agora, em meus braços, já na fase seguinte, pousa seus olhos nos meus e busca  saciar sua sede e fome. O aroma do ambiente lhe é familiar.  Instintivamente, investiga a área e a percorre. O pequeno caçador, embora novato, encontra logo  o que procura e o prende suavemente com as mãos. Explora os contornos e descobre uma saliência  sem  abertura que precisa ser aperfeiçoada. A partir de então, inicia seu trabalho de sucção, abrindo um caminho para a passagem do alimento que vai fortalecê-lo dia após dia. Saboreia, aprova e quer mais, sempre mais e mais. Não é uma dependência, é a continuação da união já iniciada através do cordão umbilical que, ao nascer foi rompido, entretanto o elo continua  num eterno laço de carinho.
A amamentação: eis um novo desafio marcado por um início  meio  complicado:  são incertezas, receios, dores que em contrapartida duelam com o compromisso,  a persistência,  e o carinho de uma mãe que não mede esforços para o bem estar do seu filho.  Lógico que nessa batalha o time campeão será aquele marcado pelo amor incondicional de mãe e contra isso ninguém tem chance alguma. 1x0 para o bebê.
Amamentar é doar o melhor de si; é partilhar segurança, tranqüilidade, carinho e ternura;  é aproximar mais ainda mãe e filho(a); é perdurar o verbo amar em prol de um certo alguém muito especial. Essa fonte de alimento não requer prática, nem tampouco habilidade. Tudo isso sem nenhum custo adicional! Basta um sim.  Como negar?

Além do meu SIM, homenageio o tema desta semana com este singelo acróstico:

Alimento natural e perfeito
Misturado ao amor e carinho
Acalma a dor,  sacia a fome e a sede.
Método prático, rápido que,com
Eficiência,   protege e
Nutre na medida certa, além de
Ter  a temperatura ideal.
Amamentar  é um ato de amor que só
Custa cumplicidade mútua entre
A  mãe e o bebê revelada nos
Olhares que se entrelaçam nesse momento singular.


                                                                 Zizi, mãe do Danilo e da Patrícia

sábado, 3 de setembro de 2011

Tema: A difícil arte de educar



                                       O Não e o Sim em sintonia
Sem experiência anterior, sem curso de formação ou extensão, sem carta de recomendação, currículo maternal vazio, zerado,  mas com muita vontade de acertar logo da primeira vez... Eis uma pequena descrição que tenta esboçar à rápidas pinceladas , o perfil das mamães principiantes  recém chegadas da maternidade que trazem consigo  um novo ser que lhes foi confiado e entregue  aos seus cuidados. Começa, então, a sua grande missão incluindo, entre outras tarefas:  alimentar, zelar, limpar, acompanhar, orientar e finalmente o mais difícil: educar. Este último representa  o maior desafio porque tem apenas data inicial, ou seja, assumir uma maternidade implica dedicação em tempo integral, plantão 24 horas, sem direito à  férias, abonadas ou escalas. Um preço caro e  justo,  porque ser mãe é compartilhar o amor maior que mais se aproxima do amor de Deus.
Não haveria lugar para dúvidas se apenas amar bastasse...  A grande questão  é a incerteza  da dosagem no educar:  ser  rigoroso, ou permissivo;  quantos “nãos” são necessários? Quantos “sins” devo  dizer? Como saber ponderar tudo isso? Difícil.
Essas dúvidas foram minhas também. Pudera, quando fui mãe pela primeira vez , era bem jovem. Lá no hospital mesmo, pensei que não fosse dar conta. Eram tantas sugestões de parentes e amigos que chegavam a confundir-me. Eu já não sabia mais se ia pela minha intuição ou seguia rigorosamente os famosos conselhos.  As pessoas não acreditam mesmo que somos capazes de fazer um bom trabalho sem tanta interferência deles. Lembro-me do dia em que cheguei da maternidade, minha sogra ficou tão preocupada com o bem-estar do bebê que mal dormiu à noite.  A cada cinco minutos ia sondar na janela do meu quarto se estava tudo bem. A madrinha fez questão de dar o primeiro banho (Talvez para me ensinar heheh!)  Outras pessoas se ofereciam para isso, para aquilo. Eu agradeci e logo tratei de  descartar  tanta ajuda. Não precisava!  Eu tinha que aprender  a dançar aquele “tango” sozinha.
Eu não soube conciliar trabalho, casa e filhos. Dediquei-lhes exclusividade alguns anos, enquanto o trabalho fora e os estudos aguardavam ansiosos pela  minha decisão. (Mas essa história eu já contei num outro post...rss)
Quando somos mães pela primeira vez, “apanhamos” porque queremos acertar e nem sempre escolhemos o melhor caminho. Uma vez alguém me disse que aprendemos a ser mãe a partir do segundo filho, porque já temos a experiência do primeiro e tais erros  não se repetirão no segundo. Isso faz sentido, errei menos da segunda vez...mas por outro lado vejam só:
Meu Deus, Essas crianças estavam de brincadeira comigo! Sim,  pois nesse momento já eram duas. A pequena aprendeu a sair do berço muito cedo porque o irmãozinho lhe ensinara! O sapeca subia no guarda-roupa e fazia da minha cama seu campo de pouso (lógico que quebrou a cama!), a pequena  seguia os passos do irmão arteiro: derrubaram o fogão (3 vezes), a televisão também não escapou; e aquele “perdido” na loja.  Ele, um belo dia, trancou-se no porta-malas do carro com a chave dentro. Foram minutos de tortura para ele , que estava preso lá dentro naquele calor! E para nós, do lado de fora, tentando abrir o carro de qualquer jeito, sem  sucesso ,ohhhhh! Nesse dia, até promessa foi feita. Ufaaaa!!
Não foi nada fácil educar Danilo (muiiii danadinho) e Patrícia (a espertíssima).  Às vezes eu era o padre: empolgava-me horas no sermão das regras  para vencê-los ; outras vezes eu era o carrasco: sentava um cá, outro ali e ameaçava-os “Se sair eu dobro o tempo do castigo’’; (até umas chineladas rolaram);  quando brigavam, eu era a mediadora:” Vão andar de mãos dadas para aprenderem a ficar junto sem brigar”... Esse ar de durona não durava tanto tempo. Logo  estava entre eles rolando no chão e participando de algumas brincadeiras.   Eu sabia que não precisava exagerar nas normas, bastava não permitir o que era considerava errado e aprovar o que fosse conveniente.  Era possível  trabalhar junto amor e respeito. Por que não? Minha inspiração maior sempre foi  o bom exemplo dos mestres: meus pais. Eles souberam , com sabedoria, simplicidade e amor, educar para o bem e para a paz. Eu não podia falhar.  
E não falhei. Eles estão aí pelo mundo, lindos, bem orientados, bem estruturados, firmes na batalha. Meu orgulho!!
E eu estou aqui,  (des)educando o neto, pois dizem que neto é filho com açúcar e avós só os estragam. Será??  Ele tem sete anos, é liindooo,  inteligente, amoroso, esperto, meio teimoso e obediente ao mesmo tempo (Pode?) É a alegria da casa, é o meu sorriso mais doce, o meu olhar mais materno, o meu primeiro e o último pensamento do dia, o meu carinho maior, a pessoa que eu mais beijo e mais abraço, a minha prioridade, Gabriel é o sonho que se concretizou, alguém que me dá forças para despertar e iniciar o dia tão cheio que tenho. Não é a toa que tem o nome de um anjo.  Deus o abençõe!!

                                                                                                                Zizi, mãe coruja,  vó babona